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Se apropriou

Reserva de luxo, Maroon 5 cumpre bem a tarefa de substituir atração cancelada no Rock In Rio, com boa performance de palco. Fotos Divulgação Rock In Rio: Helena Yoshioka/I Hate Flash (1 e 4) e Fernando Schlaeepfer/I Hate Flash (2 e 3).

O vocalista do Maroon 5, Adam Levine, solta a voz, com o pedestal do microfone na mão

O vocalista do Maroon 5, Adam Levine, solta a voz, com o pedestal do microfone na mão

O desavisado que caísse de paraquedas na Cidade do Rock no início da madrugada deste sábado (16/9), pensaria estar vivendo o encerramento da banda principal da noite de abertura desta sétima edição do Rock In Rio. Porque as três primeiras músicas do show, emendadas umas às outras e cantadas quase que em uníssono por uma plateia que não seria a daquela noite, dão a impressão de que são o suprassumo que estrategicamente as bandas empurram para o final. Sabe-se, também, que no mundo dos shows de rock, ao contrário da vida, é a última impressão a que fica. No entanto, era apenas um cartão de visitas avassalador do Maroon 5, que seguiu a receita até mais da metade da noite, em uma performance de tirar o fôlego, e isso não é apenas força de expressão.

Sabe-se também que o índice de descartabilidade das canções pop do grupo vai às alturas, e que os clichês utilizados aqui e acolá são evidentes. Como a abertura, em que uma série de assovios do cancioneiro global, incluindo o tema de “The Good, The Bad, And The Ugly”, de Ennio Morricone, eternizado nos shows do Ramones, aponta para o blockbuster assoviável “Moves Like Jagger”. É a cabeça de chave do tal início avassalador, precedida por “This Love”, que incrivelmente se supera em participação do público, e “Harder to Breathe”, com um insuspeito sotaque sententista regado a funky rock que chega a ser animador ante ao repertório típico do Maroon 5. Referências boas, vamos e venhamos, que permeiam todo o repertório do grupo e podem incluir aí a música negra da Motown, soul, reggae, pop com guitarras e o escambau.

Levine tira onda de guitarrista ao lado de James Valentine, com sua inseparável camiseta listrada

Levine tira onda de guitarrista ao lado de James Valentine, com sua inseparável camiseta listrada

Um repertório que, contudo, pouco tem mudado ao longo dos anos, uma vez que o sucesso total atingido pelo grupo confina o show em uma espécie de moto perpétuo de hits padrão. Mas é justamente isso o que o público dessa noite, permeado pela cafonice e que comprou ingresso para ver coisa pior, deseja. Reserva de luxo convocado às pressas para substituir a cantora pop adoentada, uma noite antes para a qual foi escalado, o Maroon 5 conta com um déficit de público que não compromete a apresentação. Entre as novidades, por assim dizer, três músicas do disco mais recente, “V”, lançado há mais de três anos. Destaque para “Animals”, que se começa esquisita, tem no encerramento um poderio instrumental que não fica devendo a grandes combos de rock acostumados a grandes arenas. “Sugar”, escolhida para fechar a noite, levanta o público em um bis esquizofrênico, diante do pique do show como um todo.

Tem também um interessante cover instrumental para “Let’s Dance”, de David Bowie, incluindo um duelo vocal x guitarra do tipo “Strange Kind Of Woman”, do Deep Purple, quando os músicos são apresentados sem firulas de parte a parte. Nem precisa, porque ali ninguém toca pouco, embora se saliente a destreza do guitarrista James Valentine, o homem por trás do Maroon 5, e sua inseparável camiseta de listras finas em preto e branco à Ramones; de novo! O sujeito, além de mostrar desenvoltura em cada um dos subgêneros musicais que formam a música da banda, desanda a solar em números como “Lucky Strike”, quando desce no fosso que separa o público do palco, sem parar de tocar, e “Daylight”, que fecha em ótimo nível a primeira parte do show. Valentine só não é o dono da bola porque Adam Levine segue como um dos melhores frontman da atualidade, e, menos preocupado com o contorno, triunfa soberano.

Adam Levine na beirada do palco, ao lado do discreto, mas eficiente baixista Mickey Madden

Adam Levine na beirada do palco, ao lado do discreto, mas eficiente baixista Mickey Madden

O alto astral do show se esvai, entretanto, quando o grupo decide por um bis quase todo acústico. No afã de homenagear a Cidade Maravilhosa, Lavine e James Valentine tocam juntos na passarela que avança no meio do público uma versão canhestra para “Garota de Ipanema”, metade em português, metade em inglês. A performance é horrível, não por causa do português mal versado de Adam Levine, mas porque ele desafina pacas, e dá a entender que não canta tão bem assim se não for tudo ensaiadinho como no set padrão. Nas três músicas restantes, a escolha tampouco é boa, e o show, que começara em alucinante ritmo, quase termina deixando aquela impressão ruim, a tal última que fica. Quase porque – repita-se - “Sugar”, justamente uma das mais novas, trata de equilibrar as coisas. Hoje tem mais, com mais gente e mais fãs.

Set list completo:

1- Moves Like Jagger
2- This Love
3- Harder to Breathe
4- Locked Away/One More Night
5- Misery
6- Love Somebody
7- Animals
8- Maps
9- Lucky Strike
10- Sunday Morning
11- Let’s Dance
12- Makes Me Wonder
13- Payphone
14- Daylight
Bis
15- Garota de Ipanema/The Girl From Ipanema
16- She Will Be Loved
17- Don’t Wanna Know
18- Sugar

A imagem do vocalista Adam Levine projetada no telão atrás dele próprio: início avassalador

A imagem do vocalista Adam Levine projetada no telão atrás dele próprio: início avassalador

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Comentários enviados

Apenas 1 comentários nesse texto.
  1. Porão em setembro 17, 2017 às 9:43
    #1

    Vale para os outros (textos): excelentes como sempre (os textos) sublinhando shows chatíssimos…

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