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Com vigor juvenil, Plebe Rude conta parte vital da história do rock nacional em show que resgata músicas feitas antes da própria banda. Fotos: Nem Queiroz.

O líder da Plebe Rude, Phillipe Seabra, em noite marcada por muitas histórias e nostalgia sem fim

O líder da Plebe Rude, Phillipe Seabra, em noite marcada por muitas histórias e nostalgia sem fim

A noite é marcada por saudosismo, e não tem mesmo como ser diferente. Isso porque a Plebe Rude volta ao Circo Voador, neste sábado (9/6), dessa vez como banda principal que tem o Zero como show de abertura (veja como foi), para tocar majoritariamente músicas que marcam a carreira da banda – e lá se vão quase 40 anos – antes da entrada no mercado fonográfico. Ou seja, é a Plebe antes da Plebe que o Brasil inteiro conheceu com o lançamento do impactante EP “ O Concreto Já Rachou”, em meados da década de 1980, uma das melhores estreias em disco de uma banda nacional em todos os tempos. Mas é, ao mesmo tempo, uma Plebe Rude ativa, tocando com um vigor quase juvenil um repertório marcante e de conteúdo, por incrível que pareça, que soa na maior parte do tempo atualíssimo nesse Brasil varonil de tempos tão estranhos.

Relativiza-se o majoritariamente anotado ali em cima porque, à rigor, estão na apresentação que chega a quase duas horas – tempo enorme para quem foi criado no urgente punk rock – outras fases da banda, de modo que se pode dividir o repertório em três blocos, a saber: a) Os clássicos, incluindo homenagens a bandas contemporâneas como Escola de Escândalos, Cólera e Paralamas, o que já acontece há algum tempo nos shows da Plebe; b) Um bailão com hits oitentistas ao qual que o líder do grupo, Phillipe Seabra, promete não ceder, quando cutuca o Capital Inicial justamente por isso; e c) As tais músicas que compõem o período entre 1981 e 1983, registradas ao vivo no ano passado e disponível apenas na web; assista aqui.

Primórdios: Seabra e André X juntos, ambos remanescentes da formação original da Plebe Rude

Primórdios: Seabra e André X juntos, ambos remanescentes da formação original da Plebe Rude

Dessas, oito entram nesse show, incluindo algumas bem famosas do período, como “Censura”, com um solo impressionante de Seabra e Clemente firme em uma segunda guitarra, e “Sexo & Karatê”, de letra insuperável. Sócia dela na fita demo que habitava a Rádio Fluminense FM naqueles dias é a inacreditável “Dança do Semáforo”, dos tempos com as duas vocalistas, que reaparece com Clemente fazendo as vezes de um Chubby Checker em “Let’s Twist Again”. Difícil imaginar que os die hard fãs que se acabam em rodas de dança quase família iriam um dia ver uma música como essa tocada ao vivo. E ainda chama a atenção certa ingenuidade nas letras, assim como na divertida “Disco em Moscow”, incluída no bis; ambas compostas por um Seabra ainda bem novinho, seguramente pré-adolescente. Assim como a densa “Pressão Social”, tida como a primeira música feita pela Plebe Rude.

Ele e o baixista Andre X vão apresentando cada uma dessas músicas de um modo didático, com uma breve introdução, que situa o contexto em que elas foram feitas, em uma Capital Federal ainda sob as armas citadas no hit “Proteção”. Se quebra de certo modo o ritmo do show, de outro faz brilhar os olhos desses tais fãs mais dedicados, e eles são muitos na noite de hoje, com a Plebe como atração de fundo, fato raro na carreira do grupo no Circo Voador. E qualquer quebra de ritmo se supera com uma banda que segue afiadíssima, completada pelo bom baterista Marcelo Capucci, de ótima pegada, e com Clemente ajustadíssimo em uma segunda/primeira voz que um dia se julgou impossível de se igualar à do peculiar Jander Bilaphra, o Ameba. Entre memórias, chovem citações à Flu FM, ao radialista Maurício Valadares, na época da rádio e que colocou a Plebe pra tocar, e a Jose Roberto Mahr, que ainda atua como DJ essa noite. Era pra ser com saudosismo mesmo, né?

O Inocente Clemente, que parece talhado para o lugar de Jander Bilaphra, canta ao lado de Seabra

O Inocente Clemente, que parece talhado para o lugar de Jander Bilaphra, canta ao lado de Seabra

Mas também atual, seja por força da própria história se mostrar cíclica, ou pela inclusão de músicas mais recentes como “O Que Se Faz”, do bom álbum “R Ao Contrário”, de 2006, que enfim cai no gosto dos fãs, e “Anos de Luta” single de “Nação Daltônica”, de 2014, gravado já com essa formação. E, no fim das contas, pelo modo de a banda tocar – repita-se - com uma fúria e intensidade quase juvenis que realçam em números consagrados como a já citada “Proteção”, misturada com “Pânico em SP”, do Inocentes, e “Selvagem” do Paralamas; “Johnny Vai a Guerra”, que inicia a tal roda de dança elogiada até por Andre X, ao defenestrar o uso de aparelhos emburrecedores no show; e o desfecho com “Até Quando Esperar”, música símbolo da Plebe. Nem precisava do atrapalhado bis extra e do momento bailão com cover de Midnight Oil e citações a “Highway Star, do Deep Purple, mas tá valendo mesmo assim. Pode anotar aí: a Plebe não arrefece jamais.

Set list completo:

1- Voz do Brasil
2- Brasília
3- Johnny Vai a Guerra
4- Tá Com Nada
5- Luzes
6- Censura
7- Um Outro Lugar
8- Anos de Luta
9- O Que Se Faz
10- Sua História
11- A Ida
12- Esse Ano
13- Dança do Semáforo
14- Pressão Social
15- Festas
16- Medo
17- Sexo & Karatê
18-Minha Renda
19- Proteção
Bis
20- Discórdia
21- Disco em Moscow
22- Beds Are Burning
23- Até Quando Esperar
Bis
24- Códigos
25- Rock The Casbah

O tradicional salto punk rock de Phillipe Seabra, à frente de toda a banda no palco do Circo Voador

O tradicional salto punk rock de Phillipe Seabra, à frente de toda a banda no palco do Circo Voador

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