“Mal Nenhum”, parceria com Lobão, se transformaria em uma das suas preferidas. Não sabia por qual razão, mas ali, em janeiro de 1985, só ele curtiu. As outras milhares de cabeças saculejantes preferiam as mais conhecidas do Barão Vermelho.
Era a trilha sonora que lhe chamava a atenção. Afinal, não é qualquer filme - ainda mais americano - que traz, a reboque, músicas de Psychedelic Furs, Echo And The Bunnymen, INXS e New Order.
Nunca pensou que fosse ter como mantra os versos escritos por uma banda que não tinha, positivamente, o dom de criar boas letras. Muito menos numa época em que Renato Russo e Cazuza traduziam os anseios de uma geração.
Mais cedo, pouco depois de o sol nascer, morrera Cazuza, um dos ícones da geração do rock nacional que revolucionava a música brasileira.
Era fã de Pixies, Sonic Youth e de outros indies convertidos em classic rock. Isso o fez confiar, desconfiando, mais rápido do que, em geral, costumava acontecer.
Não era fã de rock pesado. Talvez por isso, das músicas do Audioslave, tenha se interessado justamente por aquela balada. Tinha sido repreendido, certa vez, por um amigo ligado à crítica musical, por confundir balada com música lenta.
Era o que pensava dentro do aconchego do rock, naquela velha espelunca, ao mesmo tempo em que via Alicia Silverstone ameaçando se jogar do viaduto pela enésima vez, num velho clipe do Aerosmith.
Teria muita coisa do Rainbow para ouvir. Por isso cantava o verso “I’m coming home”, o último do refrão de “A Light In Black”, do álbum “Rising”.
Era lá o celeiro das bandas que criaram o death metal melódico, subgênero enroscado da música pesada que incluía – vejam só – a agressividade furiosa do death metal e a doçura enjoada do metal melódico.
Seguia o exemplo de Neil Peart, o baterista intelectual do Rush que desandou a viajar solitariamente de moto para superar a perda quase simultânea de esposa e da filha.
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