O Homem Baile

Adesão total

Nas mãos do público, Heaven Shall Burn faz show conciso, barulhento e cativante em abertura para o Jinjer no Rio. Fotos: Daniel Croce.

Toda a agressividade do vocalista do Heaven Shall Burn, Marcus Bischoff, agora com longas madeixas

Toda a agressividade do vocalista do Heaven Shall Burn, Marcus Bischoff, agora com longas madeixas

Os riffs de guitarra somados entre si conduzem a uma evolução melódica que deságua no refrão e tudo isso, sob um esporro dos diabos, não deixa dúvidas entre o público sedento que é hora de acelerar a velocidade das rodas de dança. Ou, por outra, de bater cabeça sem parar até o pescoço pedir arrego. Ou, ainda, da típica coreografia de punhos erguidos como se ensaiada fosse. É tudo isso que acontece em um piscar de olhos, porque, acima de tudo, trata-se de uma composição das mais colantes de que se tem notícia, e não só no meio da música extrema, mais precisamente do death metal melódico. O arregaço se chama “Voice of the Voiceless”, e estamos na meiúca do show do Heaven Shall Burn, ontem (7/12) em um Circo Voador cheinho de dar gosto, na apresentação que serve de abertura para o Jinjer (veja como foi).

Parece pouco, mas tem mais. Porque a sequência vinha de outra pedrada do arsenal da banda alemã, a potente “Hunters Will Be Hunted”, que curiosamente vem com teclado pré-gravado embutido – será? – e deságua em um solo do guitarrista Alexander Dietz de encher os olhos e os ouvidos, debulhagem pura que supera, e de longe, a versão gravada em disco. Se em 2017, no mesmo local, enturmado com Carcass e Lamb Of God, o grupo, ao abrir a noite, teve alguns problemas com o som (relembre), desta feita entrou no gás, incluindo um up grade nas madeixas do vocalista Marcus Bischoff, que agora – já faz um tempinho – traja uma vistosa camisa social vermelha. Simpaticão, não teve jeito, repetiu o feito de sete anos atrás, depois do fim do show: acabou carregado pela multidão em polvorosa o meio do salão.

O baixista Eric Bischoff e o guitarrista Alexander Dietz, responsável por grandes solos e riffs no show

O baixista Eric Bischoff e o guitarrista Alexander Dietz, responsável por grandes solos e riffs no show

De lá pra cá, o quinteto colocou na praça um novo álbum, o bom “Of Truth and Sacrifice”, que saiu em 2020. Dele, foram apresentadas duas faixas: “Übermacht” e “My Heart and the Ocean”, cuja letra trata de certa preocupação ambiental. A primeira, com trechos mais cadenciados, no início do show, tem reação tão positiva que o vocalista termina fazendo um coraçãozinho com as mãos – aí, não, né, Marcus? – e, a segunda, com belíssima introdução instrumental, além das evoluções melódicas cativantes, realça o poderio do batera Christian Bass. Nessa, o grandalhão Marcus Bischoff parece ainda maior ao encerrar cantando de cima do praticável da bateria. Nas duas, a adesão por parte do público à explosiva performance da banda é total, como se clássicos do cancioneiro do grupo alemão fossem.

É mais ou menos o que acontece na dobradinha final da noite. Primeiro, na curiosa “Empowerment”, dotada de uma batida muito mais para rock radiofônico, quando isso existia, e outra vez encerrada com solos de guitarra contagiantes. Depois, com “Corium”, já um hit, por assim dizer, do disco “Wanderer”, de 2016, que já vem com um cantarolar, um “ôôô” de fábrica. Mas que também pode ser usado para um bater de palmas no mesmo ritmo ou naquele estapeamento final antes que o show acabe. Do pondo de vista das rodas de dança, as do Heaven Shall Burn, até pelo tipo de som, foram bem mais movimentadas e frequentes que as do Jinjer. Alguma vantagem a banda de abertura tinha que ter sobre a atração de fundo, né? Assim, está aberta a votação para que eles voltem como atração principal da próxima vez.

Vista ampla do palco do Heaven Shall Burn no show do Circo Voador: adesão do público é total

Vista ampla do palco do Heaven Shall Burn no show do Circo Voador: adesão do público é total

Abertura, abertura mesmo quem fez foram as bandas locais Innocence Lost e Clava. Mesmo como estranho no ninho por fazer um som mais voltado para o power/prog metal, o Innocence Lost obteve uma maior participação do público; tinha mais gente também. Por questões de horário, tocaram menos de meia hora e quatro músicas, mas é possível ver clara evolução do grupo, sobretudo da vocalista Mari Torres. Já o Clava teve sérios problemas com o equipamento do som, tendo que ajustar tudo já com as portas da casa abertas. Acabaram tocando por uns 20 minutos, mas deu para sacar o hardcore combativo da banda. Precisa melhor o vocal, para que o grupo se faça entender e passe a mensagem nas músicas, não com discurso panfletário entre elas, senão vira comício. Dá pra melhorar, e muito.

Set list completo Heaven Shall Burn

1- Endzeit
2- Bring the War Home
3- Übermacht
4- Counterweight
5- Hunters Will Be Hunted
6- Voice of the Voiceless
7- Behind a Wall of Silence
8- My Heart and the Ocean
9- Profane Believers
10- Empowerment
11- Corium

Hábito: assim como em 2017, Marcus Bischoff termina a noite carregado pelos fãs no meio do salão

Hábito: assim como em 2017, Marcus Bischoff termina a noite carregado pelos fãs no meio do salão

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