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Massa bruta

Cannibal Corpse costura músicas novas e clássicos com formação renovada, em mais um show impecável no Rio. Fotos: Daniel Croce.

A fúria do vocalista do Cannibal Corpse, George 'Corpsegrinder' Fisher, pesadão em vários sentidos

A fúria do vocalista do Cannibal Corpse, George 'Corpsegrinder' Fisher, pesadão em vários sentidos

“Antes do show acabar, porque tudo tem uma hora que acaba e é essa a hora, vamos tocar só mais uma música”, brada o cantor pesadão com ares de ameaça, antes de executar não só uma singela canção, mas duas. O artifício, embora surrado, funciona que é uma beleza para um público que está há cerca de 90 minutos se estapeando uns aos outros em ligeiras rodas de dança sem dó nem piedade. Ainda mais levando-se em conta que as duas músicas em questão são clássicos absolutos, não só da banda, mas do death metal, do metal, do rock e – por que não? – da música em todos os tempos. É assim que George “Corpsegrinder” Fisher, o tal cantor, por assim dizer, finaliza o show de pancadaria explícita do Cannibal Corpse, neste domingo (15/5), em um Circo Voador em noite de riqueza extrema.

Sim, a dobradinha “Stripped, Raped and Strangled” e “Hammer Smashed Face” vem de longe, da fase em que Corpsegrinder sequer tinha entrado no lugar do Chris Barnes na banda. A segunda, mais afamada ainda por aparecer com a banda tocando ao vivo no filme “Ace Ventura – Um Detetive Diferente”, estrelado por Jim Carrey, é o arremate mais que perfeito para a noite, com o público cantarolando – acreditem – aquele “ôôô” inexplicável sob vozes de arame farpado e um esporro dos diabos, tudo a custa de um riff matador que – repita-se - já faz parte da história. Não chega a ser uma novidade – foi mais ou menos assim em 2018, 2015 e 2013; clique para relembrar -, mas não é o inesperado que convence nessas horas, e sim justamente aquilo que se espera de uma banda como o Cannibal Corpse, e que ela definitivamente não pode negar.

O novo guitarrista do Cannibal Corpse, Erik Rutan, que assume todos os solos com incrível naturalidade

O novo guitarrista do Cannibal Corpse, Erik Rutan, que assume todos os solos com incrível naturalidade

Novidade mesmo é o guitarrista Erik Rutan, na banda desde o ano passado, que entrou no lugar de Pat O’Brien, hoje cumprindo pena depois de um surto de fúria envolvendo roubo, agressão e porte ilegal de armas e munição. Rutan, produtor de mão cheia da música extrema mundial (Krisiun, Six Feet Under e o próprio Cannibal) assume todos os solos com incrível naturalidade, em que pese as passagens intrincadas das músicas da banda, seguramente uma das mais técnicas do death metal mundial. Ele brilha com mais intensidade nas três novas apresentadas, todas do disco mais recente, “Violence Unimagined” lançado em 2021, o primeiro em que participa, inclusive compondo algumas das 11 faixas.

“Inhumane Harvest”, com um trabalho de bateria impressionante de Paul Mazurkiewicz, o que, vamos e venhamos, não chega a ser uma novidade, é a que chama mais a atenção, mas a dobradinha “Necrogenic Resurrection”/“Condemnation Contagion” já na segunda metade da noite, também não deixa o pique do show cair. As outas 15 músicas de um set list que já foi maior em outras turnês pelo Brasil, refletem certo esforço para que todos os álbuns sejam representados, o que por pouco não acontece. Em meio a pancadaria sonora generalizada e até física no meio do salão, pode parecer que nada disso faz diferença, mas é notória a expectativa, a cantoria e o aumento da agitação dos die hard fans em músicas como “I Cum Blood”, de longe a mais aclamada, “A Skull Full of Maggots”, ou mesmo na ancestral “Gutted”.

O guitarrista Rob Barrett, o baixista Alex Webster, Corpserinder e Erik Rutan, Paul Mazurkiewicz ao fundo

O guitarrista Rob Barrett, o baixista Alex Webster, Paul Mazurkiewicz, Corpsegrinder e Erik Rutan

Mais do que um show a mais do Cannibal Corpse, a noite mostra que mesmo dentro de um nicho tão específico – o death metal semi-splatter da Flórida, embora sejam de Nova York – e passando por troca de integrantes, é possível seguir em frente com músicas novas (e boas!), costuradas com o repertório clássico. E sem deixar de usar artifícios manjados como o da falsa última música no final do show, mas que o público adora. Na abertura, o Test, o duo mais pesado do Brasil, mostra uma face razoavelmente diferente, mais experimental, revezando momentos de silêncio e pequenos barulinhos, sobretudo do baterista Barata, com o esporro habitual. Só um passo adiante para uma banda que não subtrai o apuro técnico ao fazer música extrema. Não por acaso, exatamente como o Cannibal Corpse.

Set list completo Cannibal Corpse:

1- The Time to Kill Is Now
2- Scourge of Iron
3- Inhumane Harvest N
4- Code of the Slashers
5- Fucked With a Knife
6- The Wretched Spawn
7- Gutted
8- Kill or Become
9- I Cum Blood
10- Evisceration Plague
11- Death Walking Terror
12- Necrogenic Resurrection N
13- Condemnation Contagion N
14- Unleashing the Bloodthirsty
15- Devoured by Vermin
16- A Skull Full of Maggots
17- Stripped, Raped and Strangled
18- Hammer Smashed Face

Mais experimental, o duo Test agradou geral durante o show de abertura para o Cannibal Corpse

Mais experimental, o duo Test agradou geral durante o show de abertura para o Cannibal Corpse

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