Home Destaque

Nunca é tarde

Saxon enfim dá as caras no Rio, em show realçado pela vitalidade dos músicos e repertório de várias fases da carreira. Fotos: Daniel Croce.

O vocalista Biff Byford e o guitarrista Paul Quinn, ambos remanescentes da formação original do Saxon

O vocalista Biff Byford e o guitarrista Paul Quinn, ambos remanescentes da formação original do Saxon

É mais ou menos o meio da noite e se estabelece uma DR entre o vocalista da banda e o público, todo trabalhado no conhecimento do repertório. Ou, por outra, uma espécie de leilão em que cabe ao inglês com fardamento típico das guerras do século passado sugerir uma série de opções para que o povão decida o que será tocado. Não tem a grandiosidade moderninha da turnê “By request”, do Metallica, na qual o repertório é escolhido via internet, mas funciona como nos bons tempos de onde a banda vem para tocar pela primeira vez no Rio. É o Saxon, em pleno Vivo Rio, na noite desta sexta (15/3), e é a assim que – do nada – o clássico “The Eagle Has Landed” reaparece em um show marcado pelo repertório passado a limpo e a boa forma dos músicos, ainda que com o cruel avançar da idade.

Curiosamente Biff Byford, o vocalista leiloeiro, abre uma exceção e no fim das contas “Ride Like The Wind”, a segunda colocada entre as quatro ou cinco opções, acaba sendo incluída também, em um set list comum aos shows dessa turnê, verdadeiro apanhado dos mais de 40 anos de ininterrupta carreira. Iniciativa reforçada pelo fato de a banda, revelada na new wave of british heavy metal, tocar pela primeira vez – dá pra acreditar? – na cidade. Por isso, se há músicas do álbum mais recente, “Thunderbolt”, lançado no ano passado, tem verdadeiros desenterros, como a sombria “Dallas 1 PM” e “Frozen Rainbow”, influenciada que ela só pelo rock progressivo dos anos 70, e ainda pelo gestual típico da época, com belos duelos de guitarra entre Paul Quinn e Doug Scarratt na beirada do palco.

Símbolo da vitalidade do Saxon, o baterista Nigel Glockler, 66, percorre os tambores com ótima pegada

Símbolo da vitalidade do Saxon, o baterista Nigel Glockler, 66, percorre os tambores com ótima pegada

A boa forma dos músicos é algo notável, não só nos vocais conservados de Byford, 68, mas na incrível performance do baterista Nigel Glockler, 66, um verdadeiro sobrevivente que mantém a tradicional pegada do heavy metal clássico, sem desviar do passeio pelos inúmeros tambores disponíveis, incluindo um duplo bumbo matador. Quinn e Scarratt se revezam em solos música após música e por vezes se chocam no palco em desafios de lado a lado, o que acontece em “Battering Ram”, ou em evoluções, como na parte final de “The Eagles Has Landed”. E ao caçula Nibbs Carter, baixista seguro, cabe a evolução pelo palco, em um show com quase duas horas de duração e 21 músicas bem executadas; ok, segundo consta, duas a menos que o de Porto Alegre, dois dias antes.

No começo, nem parecia que a noite seria de arrepiar. Por um ou outro motivo – som em fase de ajuste, falta de pegada, desconhecimento por parte do público -, “Thunderbolt”, a faixa-título do disco mais recente, não sacode a plateia como deve acontecer em uma abertura de show de rock. Mas a impressão ruim de esvai com a dobradinha “Sacrifice”/“Wheels of Steel”, a primeira a custa da associação riff e velocidade, e, a segunda, por desencadear um daqueles pula-pula que parece automático. O simpaticão Biff Byford saca o aparelho emburrecedor do bolso – até tu, Brutus? - pra filmar, ato que se repetiria na parte final do show. “Denin and Leather”, faixa título do álbum de 1981, ainda no trecho inicial, é outra em que sobressai a pegada da bateria e tem guitarra passeando pra todo lado.

Paul Quinn passeia por solos e evoluções entre as várias fases do Saxon, do progressivo ao heavy metal

Paul Quinn passeia por solos e evoluções entre as várias fases do Saxon, do progressivo ao heavy metal

O público, que de início não parecia dos maiores, não faz feio e, do nada, entoa o tradicional “olê, olê, olê”, bem no início do show, para banda acompanhar, e aí está selada a amizade, como se ainda fosse preciso. Porque não resta dúvidas do poder de fogo de números como “Crusader”, talvez o grande hit do Saxon, que fecha a primeira parte com ampla cantoria e grande evolução dos guitarristas; o caráter riffônico de “747 (Strangers in the Night)”; “Never Surrender” e “Power and the Glory”, ambas com típicas guitarras da new wave of British heavy metal, Iron Maiden style; e “Princess of the Night”, no final do bis, um arremate delirante com o público tascando pra cima do palco o que sobrou do gogó afinado de toda a noite. Não precisava ter demorado tanto, mas não quer dizer que não tenha que voltar logo, Saxon.

Set list completo:

1- Thunderbolt
2- Sacrifice
3- Wheels of Steel
4- Strong Arm of the Law
5- Denim and Leather
6- Battering Ram
7- Frozen Rainbow
8- Backs to the Wall
9- They Played Rock and Roll
10- Power and the Glory
11- The Eagle Has Landed
12- Ride Like the Wind
13- 747 (Strangers in the Night)
14- And the Bands Played On
15- Lionheart
16- To Hell and Back Again
17- Dallas 1 PM
18- Crusader
Bis
19- Heavy Metal Thunder
20- Never Surrender
21- Princess of the Night

Parceiro ideal de Paul Quinn, Doug Scarratt divide com ele solos e desafios durante todo o show do Saxon

Parceiro ideal de Paul Quinn, Doug Scarratt divide com ele solos e desafios durante todo o show do Saxon

Tags desse texto:

Comentário

Seja o primeiro a comentar!

Deixe o seu comentário

Seu email não será divulgado