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Nas cabeças

Com sucessos de todas as fases e banda na ponta dos cascos, Bon Jovi faz o primeiro show de headliner grandioso no Rock In Rio. Fotos divulgação Rock In Rio: Fernando Schlaeepfer/I Hate Flash (1, 2 e 4) e Jovi Nayara Halm/Estácio (3).

on Bon Jovi: o sorriso e a segurança de quem sabe que, depois de tanto tempo, está em uma ótima fase

Jon Bon Jovi: o sorriso e a segurança de quem sabe que, depois de tanto tempo, está em uma ótima fase

Um show do tamanho de uma atração principal, com números de todas as fases do artista, uma bandaça bem ensaiada tocando e todo mundo cantando quase todas as músicas como se fossem clássicos absolutos - muitas realmente são -, incluindo as do álbum mais recente. É assim que o Bon Jovi mostra como se faz quando tem a responsabilidade de ser o headliner em um festival de proporções bíblicas como o Rock In Rio, nesta sexta (22/9), no Palco Mundo. Foram 21 músicas executadas em suas melhores versões ao vivo, e seriam muitas mais – três ou quarto foram limadas do repertório inicialmente previsto – se o grupo ultrapassasse as duas horas de show, um recorde até aqui, e atendesse aos inconsoláveis fãs que pediam por “Always” no apagar das luzes, sem arredar o pé da Cidade do Rock.

Primeiro porque Jon Bon Jovi, ao que parece, conseguiu resolver as questões com os demais integrantes, deu uma arrumada na casa e tem a banda na mão como se sempre fosse sua; e não é mesmo? Para se ter uma ideia, na última vez no Brasil, neste mesmo Rock In Rio, em 2013 (relembre), havia as incertezas da permanência de Richie Sambora e o baterista Tico Torres, operado às pressas de uma apendicite, deu lugar provisoriamente à Rich Scannella, cuja a imagem, por orientação dos produtores, não deveria ser mostrada nos telões ou na transmissão de TV (!). Agora, não. Com Torres esbanjando energia em sua câmera exclusiva no telão, o bom Phil X integrado em definitivo e John Shanks dividindo o serviço com ele, um pouco mais de rodagem de palco e um álbum de inéditas bastante interessante (“This House Is Not for Sale”, de 2016), o cenário é outro.

O tecladista David Bryan e o ótimo guitarrista Phil X são 'regidos' por Jon Bon Jovi durante o show

O tecladista David Bryan e o ótimo guitarrista Phil X são 'regidos' por Jon Bon Jovi durante o show

Principalmente, e voltando ao show em si, pela inclusão de músicas que marcaram época, de um modo ou de outro, em uma das – ao menos – três fases da banda, a saber: a) A do hard rock dos anos 80 que ainda arrasta fãs aos shows, e é o blockbuster “Slippery When Wet”, de 1986, o maior cedente de hits ao repertório; b) A mais pop, iniciada por “Keep The Faith” (a música, aqui, reaparece totalmente turbinada) e que fez a banda se tornar ainda maior; e c) Uma mistura disso tudo com a banda se esforçando um bocado para ser o novo U2, ao criar músicas do tipo “todo mundo se identifica com a letra e se emociona”, e, no disco mais recente, até buscar uma sonoridade – acredite se quiser - próxima à do guitarrista The Edge. Eis aí a receita para um encerramento grandioso como deve fazer um verdadeiro headliner, e disso, vamos e venhamos, Jon Bon Jovi entende muitíssimo bem.

Entre as músicas novas, “This House Is Not For Sale”, impulsionada por um clipe de abertura que mostra pontos turísticos da Cidade, já é considerada da família, de tão fácil que é; “Knockout”, com potencial para hit à custa de um cantarolar de berço, quase passa batido pela ansiedade por hits no início do show; e o refrão de “Roller Coaster”, na segunda metade da noite já conquistou os fãs há muito tempo. Phil X é o guitarrista perfeito para Jon, porque guarda boa técnica, presença de palco e afinados vocais de apoio, sem, contudo, lhe subtrair o protagonismo único, exclusivo, soberano. Ainda assim, é impossível não lembrar de Sambora em músicas como “Wanted Dead or Alive” (“Tem algum caubói por aí?”, anuncia Jon) ou a cada vez que o efeito vocoder é uado, sobretudo na sensacional “Livin’ on a Prayer”, tão pedida quanto “Always”; essa ficou de fora.

O baterista Tico Torres, ausente no Rock In Rio de 2013, por questões médicas, volta em boa forma

O baterista Tico Torres, ausente no Rock In Rio de 2013, por questões médicas, volta em boa forma

Não há pirotecnia nos shows do Bon Jovi há tempos, mas o telão é usado com eficácia, dando significação a músicas como “It’s My Life”, espécie de “Beautiful Day”, contemporânea do U2, talvez a mais cantadas da noite. Além da pré-histórica “Runaway”, com direito a explicação de Jon sobre a “abertura das portas do sucesso”, brilham o mega hit “You Give Love a Bad Name”; a baladaça chicletuda para banhar os olhos que é “Bed of Roses”; a renascida “I’ll Sleep When I’m Dead”, com boa participação dos dois guitarristas, dando um novo élan à música; e a reconstruída “Keep The Faith”, que traz a sonoridade mezzo latina regada à percussão de Everett Bradley, solos individuais e a apresentação dos dois guitarristas na passarela que adentra o espaço do público. Em “Bad Medicine”, Jon desce no espaço entre o público e o palco para um oi/tchau antes do bis. Foram precisos quatro anos, um disco e mais um Rock In Rio, mas o Bon Jovi voltou pras cabeças em ótima forma.

Set list completo:

1- This House Is Not for Sale
2- Raise Your Hands
3- Knockout
4- You Give Love a Bad Name
5- Born to Be My Baby
6- Lost Highway
7- Because We Can
8- I’ll Sleep When I’m Dead
9- Runaway
10- We Got It Goin’ On
11- Someday I’ll Be Saturday Night
12- Bed of Roses
13- It’s My Life
14- Captain Crash & the Beauty Queen From Mars
15- Roller Coaster
16- Wanted Dead or Alive
17- Lay Your Hands On Me
18- Keep the Faith
19- Bad Medicine
Bis
20- Have a Nice Day
21- Livin’ on a Prayer

Not for sale: vista do cenário do show do Bon Jovi com o destaque para a capa do novo álbum no telão

Not for sale: vista do cenário do show do Bon Jovi com o destaque para a capa do novo álbum no telão

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