O Homem Baile

Desertor

Sem maiores explicações, Marky Ramone desiste de prosseguir com show no Rio após 47 minutos de muita festa no Imperator. Fotos: Nem Queiroz.

No começo, tudo bem: eterno Ramone, Marky sorri para a plateia sedenta de clássicos do punk rock

No começo, tudo bem: eterno Ramone, Marky sorri para a plateia sedenta de clássicos do punk rock

Não se pode mais dizer que Marky Ramone vem a Rio todo ano para fazer o mesmíssimo show. Porque na noite desta sexta (29/2), no Imperator, o baterista de uma das formações clássicas do Ramones empacou no intervalo antes do bis e decidiu que não iria voltar ao palco, frustrando o público que se divertia pra valer. Ao todo, foram 24 músicas em cronometrados 47 minutos. Depois de mais uns 15 de espera, o fechar das cortinas e o acender das luzes foi a senha para que o público soltasse as vaias sem acreditar o que se passava, e sem que ninguém da casa desse uma explicação. Ouvida por este Rock em Geral, a produção disse que Marky simplesmente desistiu de voltar ao palco, sem maiores explicações (veja nota oficial no final do texto). Não se sabe se o contrato previa um determinado tempo de show ou número de músicas, como muitas vezes acontecesse no ramo.

Ainda segundo apuração do site, o show deveria durar entre 80 e 100 minutos, ou seja, cerca do dobro de tempo, e o set list teria, em princípio, outras sete músicas, em duas voltas ao palco que não aconteceram, totalizando 31 números (veja a lista completa no final do texto). Nas últimas vezes em que tocou na Cidade, Marky Ramone também mandou 31 músicas no Circo Voador, no ano passado (relembre); 37 no Teatro Odisséia, em 2014 (veja como foi); e 24 no Rock In Rio de 2013 (veja aqui), sendo que, em festivais, os shows têm limite de tempo. Assim, ficaram de fora clássicos como “Blitzkrieg Bop”, que dá nome à banda e em geral encerra a noite; “Do You Remember Rock N Roll Radio”, consagrada por aqui por conta da vinheta da Fluminense FM; e até “R.A.M.O.N.E.S.”, feita por Lemmy Killmister para homenagear o grupo que deu fama à Marky, sempre incluída.

Marky no fundo, com o novo vocalista, Oscar Chinellatto, cuja voz lembra a de um tal de Joey Ramone

Marky no fundo, com o novo vocalista, Oscar Chinellatto, cuja voz lembra a de um tal de Joey Ramone

A noite prometia e a coisa ia bem até então. A novidade na banda é o vocalista Oscar Chinellatto, que substitui respectivamente os nomões Andrew W.K. e Michale Greaves (ex-vocalista do Misfits), que faziam parte da banda nas últimas oportunidades. Banda que passa a ser chamada, de acordo com o pano de fundo, “Marky Ramone’s South American Blitzkrieg”, sendo este o segundo show da turnê, iniciada na quinta, em São Paulo. A maior virtude de Chinellatto, diferentemente de seus antecessores, é ter o tom de voz bem parecido com o de Joey Ramone, o que é realçado pela melhora do som lá pela oitava música. Mas o rapaz também se movimenta bem no palco e não faz feio, escoltado pelo guitarrista Marcelo Gallo e pelo baixista Alejandro Viejo, ambos com mais tempo de estrada na banda de Marky.

Como se sabe, o show tem roda de dança full time, e, a despeito de a casa ter apenas umas 500 pessoas (metade da lotação permitida, querido Méier!), a animação é total, com raros mini-intervalos instrumentais nos quais se ganha fôlego. A concatenação das músicas é manjada, mas aponta para um crescente de vibração na medida em que as mais conhecidas e agitáveis vão pipocando como numa mixagem ao vivo. Por isso a parte final é de arrebentar o assoalho, com um bloco que contém “I Believe In Miracles”, “The KKK Took My Baby Away”, “Pet Sematary”, ligeiramente mais rápida, “Chinese Rock” e “I Wanna Be Sedated”. Outros bons momentos são a perniciosa “53rd & 3rd”, com bons vocais de apoio de Viejo, e a impagável “Beat on the Brat”. A se lamentar a interrupção de uma noite cuja vibe era das melhores. Realmente o legado ramônico não precisava desse vacilo, Seu Marky.

O vocalista Oscar Chinellatto, em posição de ataque, com Marky firme na bateria, no fundo

O vocalista Oscar Chinellatto, em posição de ataque, com Marky firme na bateria, no fundo

O show faz parte da festa A Grande Roubada e a noite teve ainda a abertura do Beach Combers que – quis assim o destino – acabou tocando por quase o mesmo tempo que a banda de fundo. O combo de surf music não decepcionou o público que ainda chegava, com o repertório consagrado nas ruas da cidade, e ainda algumas novidades, como “A Maldição de Montezuma”, que deve fazer parte do novo álbum do grupo. A rodagem está fornecendo aos três combinadinhos um belo entrosamento, mas é preciso achar o lugar certo para que alguns improvisos não subtraiam a pegada do show. As melhores são “O Mistério do Catamarã”, que bem poderia fazer parte da compilação “Shots In The Dark”, e a sensacional cover para “Strychnine”, do Sonics.

Set list completo Marky Ramone:

1- Rockaway Beach
2- Teenage Lobotomy
3- Psycho Therapy
4- Do You Wanna Dance?
5- I Don’t Care
6- Sheena Is a Punk Rocker
7- Havana Affair
8- Commando
9- I Wanna be Your Boy Friend
10- Beat on the Brat
11- 53rd & 3rd
12- Now I Wanna Sniff Some Glue
13- Gimme Gimme Shock Treatment
14- Rock ‘N’ Roll High School
15- Oh Oh I Love Her So
16- Surfin’ Bird
17- Judy Is a Punk
18- I Believe in Miracles
19- The KKK Took My Baby Away
20- Pet Sematary
21- Chinese Rock
22- I Wanna Be Sedated
23- I Don’t Wanna Walk Around With You
24- Pinhead
Estavam no set, mas não foram tocadas:
Bis
25- Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio?
26- I Just Want To Have Something To Do
27- Glad to see You Go
28- Cretin Hop
29- R.A.M.O.N.E.S.
Bis
30- What a Wonderful World
31- Blitzkrieg Bop

Na abertura, a explosão sônica do bem entrosado trio Beach Combers e seu peculiar (e já surrado) figurino

Na abertura, a explosão sônica do bem entrosado trio Beach Combers e seu peculiar (e já surrado) figurino

Nota da produção publicada no Evento do Facebook:
“Pessoal, infelizmente por razões pessoais o Marky Ramone decidiu interromper o show sem aviso prévio, fugindo do padrão usual das suas ultimas apresentações. Nós da produção cumprimos com todas as exigências e cláusulas contratuais e todos os custos envolvidos na produção do evento foram previamente pagos por nós. Nossas obrigações para com o artista foram cumpridas, porém determinadas condutas do mesmo fogem do nosso controle, pedimos desculpas por quem, assim como nós, esperava mais dessa noite.”

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Comentários enviados

Apenas 1 comentários nesse texto.
  1. Eduardo Pletsch em abril 30, 2016 às 15:17
    #1

    Alegar razões pessoais é falta de profissionalismo tremendo! Pelo que entendi, é quebra de contrato do Marky.

    Mas como Marky é arroz de festa por aqui, no próximo show que ele deveria fazer o cachê pela metade do valor. É o mínimo, em consideração aos fãs dos Ramones e à ideia da banda em “manter o legado dos Ramones”.

    Apesar disso, o show foi fodástico. Muito bom enquanto durou, e viva os Ramones! o/

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