O Homem Baile

Para celebrar

No lançamento do álbum de estreia, Folks mostra que é banda de palco e que as coisas estão só no começo. Foto: Daryan Dornelles/Divulgação.

folksO tom é de celebração no final da noite desta sexta (31/7), no Imperator, no Rio. No palco, o Folks vê a plateia cantando à capela, na ponta da língua, os versos de “Muito Som”, desde já seu maior hit. Os músicos saem de cena e a cantoria, como um mantra, prossegue. Poderia até ter um bis, mas melhor deixar a semente da nostalgia numa noite para ser anotada no caderninho. E, também, porque é o show de lançamento do álbum de estreia do quinteto, que tocou uma por uma todas as 14 músicas de um repertório que vem sendo forjado nos últimos anos, e que, a bem da verdade, é melhor se consumido ao vivo mesmo.

Porque, antes de qualquer coisa, o Folks é banda de palco, para ser curtida sobre o palco. E para esse lançamento, o grupo investe forte em um cenário e figurinos que impulsionam tudo para um degrau a mais, sem deixar escapar – como muitas vezes acontece – o rock propriamente dito, que no fim das contas é o que interessa. E, também, não é o cenário que chama a atenção quando a banda sobe no palco, mas os músicos que já entram tocando no gás, e com o vocalista Kauan Calazans feito onça prestes a se soltar das amarras. “Paralelas Imperfeitas”, com um belo riff de guitarra, é escolha precisa para abrir a noite, ainda mais quando nem sempre a ordem das faixas de um disco tem a correspondência em um set list feito para um show. O Folks sabe disso e não dá mole.

Além de Kauan, a banda, de certa forma, gira em torno do guitarrista Sergio Sessim, que, por sua vez, não esconde o apreço por Jimmy Page; até o semblante, forçando um pouco a barra, lembra o do guitarrista do Led Zeppelin. Essa mais perfeita tradução aparece na dobradinha “Delírio”/“Led”, quando Sessim se apodera de uma guitarra double neck e toca nas duas partes pra valer. A primeira causa expectativa por não ter sida tocada ao vivo antes e vai muito bem, com direito a um show de slide guitar. E “Led” (que cita você sabe que banda) é um belo arremate para o show, com o guitarrista debulhando o instrumento sem dó e o batera Ygor Helbourn mandando um solo até econômico, pelo potencial que parece guardar. Completam a formação Paulinho Barros (guitarra) e Vitor Carvalho (baixo).

Mas não se deixe enganar, a banda é muito mais que isso, do que o chapéu e a bata hippie de Kauan, e do que o próprio nome não representa; honra seja feita, não há nada de folk no meio daquelas guitarras. É o que mostra a força de músicas como “Até o Mundo Cair”, um rockaço dos bons, que cresce muito ao vivo e puxa o público para cantar junto; “Maquiagem”, renovada por mais solos e com firme marcação de baixo e bateria; e até “Sei”, cujo sotaque mais pop, se projeta voos maiores, não subtrai a força da composição, uma das melhores desse repertório. Assim como no disco, o show tem espaço para “Não Me Mande Flores”, do Urubu Rei, que ganhou o mundo com o De Falla e agora recebe uma versão bem própria do Folks, com lindos fraseados de guitarra e sutis alterações na letra. Vai, Folks. Nem o céu é o limite.

Na abertura o Memora faz o possível, mas o show fica bem aquém do esperado, mesmo para uma banda de abertura. Espremidos para um corredor à frente das cortinas, o grupo é prejudicado pela montagem do palco do Folks e o resultado é um som embolado de dar dó. Mesmo assim, dá pra perceber que a música americana de raiz – soul, funk e o escambau – está presente no som dos caras, a despeito das duas guitarras fazerem o equilíbrio com o groove inerente a esses gêneros. Um cuidado maior com as letras e menos falação no palco – o que contagia é o som, não mandar o público fazer isto ou aquilo - também ajuda. Fica para a próxima.

Set list completo Folks:

1- Paralelas Imperfeitas
2- Carol
3- A Casa dos Lugares
4- Maquiagem
5- Até o Mundo Cair
6- Sei
7- Rascunho
8- Não Me Mande Flores
9- Para Um Grande Amor
10- O Trago
11- Outra Vez
12- Delírio
13- Led
14- Muito Som

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