O Homem Baile

Resumo da ópera

Em cerca de duas horas, Epica revê dez anos de carreira e se afirma como o principal nome do gothic metal da atualidade. Texto: Daniel Dutra/Foto: Rodrigo Scelza.

epica2012As bandas de gothic metal com mulheres à frente do microfone começaram a virar febre no início dos anos 2000, mas o ápice da popularidade do gênero já ficou para trás. Poucos nomes continuam relevantes, e o cenário atual tem no Epica o seu principal representante. Posto que, verdade seja dita, o Nightwish manteve por pouco tempo após a saída (ou demissão, como queiram) de Tarja Turunen.

Em sua terceira passagem pelo Rio de Janeiro, o sexteto holandês mostrou por que está no topo. Tudo é muito profissional. Do palco bem cuidado à ótima iluminação, passando pelos movimentos calculados dos músicos no palco, o roteiro é de um show feito na medida para os fãs. E eles, que compareceram em bom número - cerca de 2 mil encheram a pista da Fundição Progresso -, tiveram no último sábado a melhor noite de suas vidas. Como certamente foram as duas apresentações anteriores na cidade, em 2005 e 2010 (veja como foi).

Às 21h, sem atraso, a introdução “Karma” preparou o terreno para a entrada dos músicos no palco, e aí veio constatação definitiva do sucesso que o grupo hoje ostenta: Simone Simons. Todos os integrantes – Mark Jansen (guitarra e vocais guturais), Isaac Delahaye (guitarra), Coen Janssen (teclados), Ariën van Weesenbeek (bateria) e Rob van der Loo (baixo) – foram aplaudidos com entusiasmo, mas não a vocalista. O que aconteceu com ela foi uma catarse.

Meninos babando, meninas suspirando. Eles sonhando com a musa, elas com o sonho de um dia ser a musa. Mas havia música, e “Monopoly on Truth” mostrou que os fãs dão bastante valor a isso. O refrão estava na ponta da língua de todos, assim como os das outras três músicas do novo álbum, “Requiem for the Indifferent”, lançado este ano, que foram apresentadas. “Serenade of Self-Destruction”, “Delirium” e a ótima “Storm the Sorrow” foram bem recebidas, sem a frieza comum ao novo material, graças não apenas à fidelidade de quem foi ao show, mas, principalmente, à facilidade proporcionada pela internet.

Entre ursinho de pelúcia e buquê de flores jogados no palco, Simone comandava o show com facilidade, fazendo o público responder a qualquer um de seus pedidos. Até mesmo quando ela revelou o desejo de tomar “muitas caipirinhas” e perguntou quem poderia levá-la a um bar depois do show. E não foram apenas meninos que levantaram a mão. Mais do que isso, Simone canta horrores, e “Storm the Sorrow”, “Quietus” e “Unleashed”, uma das melhores músicas do Epica, mostraram que ela é muito mais do que apenas um rostinho (muito) bonito.

Mas por trás da figura central da ruivinha, há realmente uma banda extremamente competente, que vem apresentando uma evolução constante ao longo dos últimos anos – principalmente depois das entradas de Weesenbeek e Delahaye, em 2007 e 2009, respectivamente. Oriundos da banda de death metal God Dethroned, ambos acrescentaram muito à parte técnica de uma banda cada vez menos gótica, cada vez mais pesada e bem trabalhada. “The Obsessive Devotion”, do álbum “The Divine Conspiracy” (2007), foi a amostra do momento divisor de águas na carreira dos holandeses.

Curiosamente, o ápice musical acabou sendo uma canção do primeiro disco, “The Phantom Agony” (2003). “Cry for the Moon” fez jus ao status de hino ao ser cantada em uníssono, com direito à paradinha da banda para apenas os fãs soltarem a voz, em alto e bom som. A rasgação de seda com os fãs, aliás, rendeu as tradicionais vaias a São Paulo, quando Jansen lembrou que o grupo havia tocado na cidade na noite anterior e faz a ressalva: “mas vocês estão superando a plateia de lá”. O tecladista também reconheceu a vibração dos brasileiros: “vocês são o melhor público do mundo, mas acho que ouvem isso toda hora”.

A interação não ficou apenas nas palavras, uma vez que um fã foi chamado para subir ao palco e agitar com a banda durante “Sancta Terra”, já no bis. O felizardo precisava apenas ser o melhor na arte de balançar a cabeleira durante um curto solo cheio de blast beats de Weesenbeek – em clima de festa, Janssen até puxou a praga “Ai Se Eu Te Pego” nos teclados, com direito a uma animada Simone dançando. Despido de qualquer pudor, o escolhido não fez feio ao lado da banda e mereceu os aplausos. Foi a imagem do fã feliz e satisfeito ao fim da épica (sem trocadilhos) “Consign to Oblivion”, que encerrou as quase duas horas de um show tecnicamente perfeito, mas sem ser frio.

A noite começou com o Dreadnox, banda carioca formada em 1993 e que retornou à ativa em 2010, após um hiato de cinco anos. Em uma apresentação curta (20 minutos), o quarteto, no entanto, não conseguiu empolgar a plateia nem mesmo com “Refuse/Resist”, cover do Sepultura, que fechou o set.

Set list completo Epica
1. Karma (intro)
2. Monopoly on Truth
3. Sensorium
4. Unleashed
5. Martyr of the Free World
6. Serenade of Self-Destruction
7. The Obsessive Devotion
8. Storm the Sorrow
9. Delirium
10. Blank Infinity
11. Cry for the Moon
12. The Phantom Agony
Bis
13. Quietus
14. Sancta Terra
15. Consign to Oblivion

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