No Mundo do Rock

Bem adaptado

Cara nova no Megadeth, Chris Broderick divide as guitarras com Dave Mustaine com a naturalidade da coadjuvação; grupo é atração do Metal Open Air, que acontece nesse final de semana, no Maranhão. Fotos: Divulgação (1) e Pedro Carrilho/Divulgação (2 e 3).

Chris Broderick e os parceiros Shawn Drover (bateria), Dave Mustaine e David Ellefson (guitarras)

Chris Broderick e os parceiros Shawn Drover (bateria), Dave Mustaine e David Ellefson (guitarras)

Se até Paul McCartney, um legítimo Beatle, virou figura fácil no Brasil, quem pode condenar o Megadeth por volta e meia dar uma passadinha por nossa terra? No próximo final de semana, o grupo é uma das atrações principais do Metal Open Air – aí, sim, a novidade -, festival que promete sacudir as estruturas de São Luis, no Maranhão. E, como tal, poderá fazer um show maior do que aquele corrido do ano passado, no SWU; convenhamos também que a cidade de Paulínia, no interior de São Paulo, não é tão perto assim da capital maranhense.

Depois de um bate papo corrido com o baixista David Ellefson, às vésperas do SWU (leia matéria aqui), conversamos com o guitarrista Chris Broderick, que, com apenas quatro anos de casa – numa banda com mais de 20 - já se sente completamente integrado. Sobretudo depois do lançamento do novo álbum, “Th1rt3en”, no ano passado, no qual – garante o guitarrista – participou mais da feitura, sempre à sombra do boss Dave Mustaine. Ele também aponta a mudança do produtor do álbum anterior, “Endgame”, como um fator que fez o Megadeth pegar o gosto por músicas mais colantes, pop até, coisa já admitida por Ellefson na outra entrevista. Veja abaixo a íntegra da conversa, que rolou por telefone:

Rock em Geral: Vocês vão tocar no Brasil pela segunda vez num curto espaço de tempo, na turnê do mesmo álbum. Pretendem mudar algo no set lista, ainda mais que agora são a atração principal em uma das noites de um grande festival?

Chris Broderick: É claro que vamos tocar mais músicas, porque teremos mais tempo para tocar dessa vez. Mas estou certo que temos que tocar algumas músicas que sempre trocamos também. Mas vamos colocar músicas diferentes no set lista, incluindo músicas novas e clássicos do Megadeth.

REG: Esse show vai ser o único na America do Sul, num grande festival distante das grandes capitais brasileiras, que acontece pela primeira vez. Isso assusta vocês, de certa forma?

Chris: Bem, eu sempre fico um pouco nervoso antes de cada show, seja ele muito grande ou muito pequeno. Mas, no fim das contas, quanto estou no palco, vejo os fãs e percebo como eles estão entusiasmados, o quanto eles estão se divertindo e isso me deixa muito animado. Vai ser incrível, tenho certeza.

REG: O Megadeth vai tocar na sexta. Como vocês não têm outro show agendado na sequência, você pretende curtir os outros dias do festival?

Chris: Eu não tenho certeza, mas acho que já voamos de volta para casa no sábado.

REG: “Th1rt3en” é o segundo disco que você grava como um integrante do Megadeth, como avalia isso?

Chris: Eu acho que, para mim, pessoalmente, foi bom gravar esse novo CD para me deixar mais confortável comigo mesmo. Musicalmente, no “Endgame” foi mais para eu me concentrar no jeito de tocar guitarra e de tentar fazer aquilo que eu deveria fazer como guitarrista. Nesse novo álbum me senti bem mais à vontade e mais integrado em todo o processo.

REG: Os dois álbuns têm produtores diferentes. Saiu o Andy Sneap e entrou o Johnny K. Que diferença faz? Você não acha que o Mustaine poderia produzir o disco ele próprio?

Chris: Ah, o Dave Mustaine está sempre envolvido, ele sempre estará lá, sempre envolvido nas coisas do Megadeth, vendo se está tudo cem por cento como dever ser. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que ele sempre quer saber as opiniões de outras pessoas. Para mim os dois, Johnny K e Andy Sneap, têm bons métodos de trabalho. O Johnny K olha mais para a música como um todo e como ela foi feita, o tipo de melodia que ela pede da voz e como funciona do início até o final. E o Andy Sneap, para mim, é mais meticuloso na hora dos takes. Ele quer sempre ter a certeza de que tudo está ajustado para se fazer o melhor take possível, e trabalha duro para que isso aconteça. Os dois têm métodos diferentes de produção, mas são fantásticos, cada um à sua maneira.

Chris Broderick nem parece 'novo' na banda

Chris Broderick nem parece 'novo' na banda

REG: Você diria que o Andy Sneap é mais engenheiro de som e o Johnny K é mais produtor?

Chris: Não, mas acredito que ele está mais ligado na performance da música na hora de gravar, enquanto o Johnny K é mais ligado no som como um todo, na estrutura das músicas, como elas foram compostas.

REG: Você não acha que nesse disco as músicas estão com uma abordagem mais pop, de certa forma, com refrões mais colantes? Houve uma busca nesse sentido?

Chris: Mesmo que você tenha a intenção de fazer alguma coisa quando começa a compor uma música, na minha cabeça a música busca seu próprio caminho, de uma forma ou outra, às vezes encontrando um caminho maluco para seguir. Eu não acho que há essa intenção, mas acho que quando se trabalha com um cara como o Johnny K, você acaba pensando mais na estrutura das músicas, e há sempre a atração pela música. Mas, na minha cabeça, quando você começa a compor uma canção, ela acha o seu caminho.

REG: Parece que você se adaptou muito bem desde que entrou no Megadeth, há quatro anos. Foi fácil para você entrar na banda ou você é fã do Megadeth já há bastante tempo?

Chris: Eu sempre estive envolvido com isso e acompanhava o Marty Friedman (ex-guitarrista do Megadeth) quando ele ainda tocava com o Jason Becker, no Cacophony. Aí, quando ele entrou no Megadeth para gravar o “Rust in Peace” (disco de 1991), foi que eu me tornei um fã do Megadeth. Passei a conhecer os discos anteriores, tudo que o (Chris) Poland (guitarrista anterior) já tinha feito, todas as guitarras. Então entrar para a banda foi mais fácil por eu já ser fã do Megadeth, sobretudo das guitarras, incluindo as do Dave Mustaine.

REG: Deve ser difícil tocar guitarra ao lado do Dave Mustaine, porque às vezes ele é quem sola e você faz a base, e, em outras vezes, é o contrário. É difícil acompanhá-lo?

Chris: Eu não vejo dessa forma. Ele definitivamente é muito detalhista em saber o que quer. Mas, para mim, isso acaba tornando as coisas mais fáceis, porque eu não tenho que me preocupar muito com o eu devo fazer ou algo parecido. Eu já sei, e só que tenho que fazer é a minha performance. De certa forma isso torna as coisas mais fáceis, não tenho que me preocupar com o que devo fazer no palco ou com nada disso. Então eu diria que é fácil tocar assim.

REG: Recentemente o Dave Ellefson retornou para a banda, e muitos fãs do Megadeth sonham com a volta da formação clássica, com Marty Friedman nas guitarras e Nick Menza na bateria. Isso é o tipo de coisa que tira o seu sono?

Chris: Não, de jeito nenhum (risos). Se acontecer… não há melhor guitarrista para entrar no seu lugar do que Marty Friedman, não é? Não é nada que me faça perder o sono ou algo do tipo. Estou tocando guitarra no Megadeth agora e me divertindo muito, num bom momento. Então gosto muito disso, mesmo que acabe amanhã.

REG: Você trabalha em algum projeto solo?

Chris: Não, nada no momento.

REG: Ainda é cedo, mas já temos músicas para um novo álbum do Megadeth?

Chris: Tenho certeza de que todos têm suas ideias, porque eu mesmo tenho gravado as minhas, mas não pensamos nisso conjuntamente ainda, para enumerar quais riffs devem entrar no próximo CD. Temos ideias, sim, mas não começamos a organizá-las ainda. Como sempre faço, assim que tenho uma nova ideia, mesmo nos bastidores das turnês, eu trato logo de gravar, mesmo que seja na mesa do show, só para registrar. Não quer dizer que temos uma demo com músicas gravadas.

REG: Sobre a turnê “Big Four”, você não fez parte da era de ouro do thrash metal. Como é fazer parte disso depois de tanto tempo?

Chris: Para mim é uma grande honra, e ao mesmo tempo é uma lição de história porque estar lá no palco junto com essas outras três grandes bandas é inacreditável. A amizade dos caras e a atual história do thrash permanece.

REG: Dave Mustaine quer fazer um novo projeto com os caras do Metallica, o Lars Ulrich e James Hetfield. Sabe alguma coisa disso?

Chris: Acho que eles podem fazer isso juntos. São só três caras que são amigos e então é só se juntar e começar. Acho que seria fantástico!

REG: Você gostaria de fazer parte desse projeto?

Chris: Mas é claro! Quem não participaria?

O chefão Dave Mustaine cantando no show do Megadeth no SWU 2011; agora é a vez do Maranhão

O chefão Dave Mustaine cantando no show do Megadeth no SWU 2011; agora é a vez do Maranhão

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