Bola que profissionaliza
Clube de futebol não é só para vencer; também é formador de mercado de trabalho, para o Brasil e para o mundo.
Fernando Henrique, Fábio, Antonio Carlos, Dalton e Marcelo; Arouca, Toró, Diego Souza e Wellington Nem; Alan e Maicon. O que esse bom time, repleto de bons jogadores, titulares de equipes no Brasil e no mundo, têm em comum? Todos foram revelados pelo Fluminense nos últimos anos. Alguns já têm passagem pela seleção brasileira e todos estão inseridos no mercado de trabalho. Eis aí uma das mais nobres funções de um clube de futebol: revelar atletas para o mercado de trabalho, em vez de ser que se chama por aí de uma “fábrica de craques’.
Não é que não seria bom se houvesse realmente uma, mas é que craque, de verdade mesmo, só aparece de vez em quando. Investir em categorias de base é dever de clubes de futebol não só porque dá lucro, mas porque é preciso abastecer o mercado, que, evidentemente, não é feito só de craques. Tem que ter o goleiro – olha que beleza o Rogério Ceni! -, o zagueirão, o cabeça de área, o armador, o passador. Todos fazem parte de uma equipe de futebol. Se nem as seleções de 70 e de 82 eram imunes a “não craques” – vide Everaldo e Serginho, respectivamente – imaginem nos nossos times de cada temporada.
Digo isso porque, às vésperas de mais ema decisão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, há o natural enaltecimento de além Dutra às qualidades espetaculares da equipe do Corinthians, que, de antemão, é considerada a favorita. Ora, é verdade que a campanha, de forma invicta e com média de quatro gols por partida é praticamente irretocável, mas vamos parar por aí. Se o que conta é a história, a tradição de revelar craques do Fluminense vem desde os anos 70, com Edinho, que virou o capitão da Máquina – equipe tricolor em que todo o elenco era de seleção – e com os títulos acumulados desta mesma Copa São Paulo. Dirão os corintianos que têm sete títulos conta cinco do Flu – o que é verdade -, mas peço que, a exemplo do que fiz na abertura, escalem uma equipe revelada na base do clube nos últimos – sei lá – sete anos. Estendo o desafio aos demais clubes. Quem teria revelado mais jogadores?
Mudou muito a Copa São Paulo, que nem é mais de Futebol Júnior, categoria que praticamente acabou; agora é um campeonato sub 18. Inchado por interesses de clubes de ocasião e de empresários, a Copinha hoje tem 96 clubes numa disputa que dura 22 dias. São jogos que chegam a ter intervalos inferiores a dois dias e em campos de várzea, alagados e esburacados (ou de grama sintética de qualidade duvidosa), que tornam difícil já a classificação na fase de grupo, onde só o primeiro colocado e os oito melhores dos 24 grupos (sim, 24!) seguem adiante. Vejam que o time do São Paulo, clube reconhecido pelos altos investimentos na categoria de base, mesmo vencendo a partida de estreia por 10 a zero (!) foi eliminado. Não é mole chegar a uma final.
É lógico que todo mundo quer ganhar. O torcedor, porque sim; o jogador, que precisa aprender a ter o dom do vencedor; o técnico, que tem na vitória uma forma de mostrar trabalho aos seus superiores; e o clube, que tem uma sala de troféus para exibir. Mas o mais importante é mesmo colocar jogador no mercado de trabalho. Só assim se paga a conta e se pode investir mais no futuro, além de ter mais chances de ter um retorno técnico dado por jogadores que, mesmo não sendo o Neymar, contribuem para as campanhas de uma equipe, em algumas temporadas. Por isso escrevi este texto antes da grande final, que acontece amanhã, às dez da matina (não podia ser de tarde, pessoal?). Não importa o que dê amanhã; o trabalho de base do Fluminense é vencedor desde sempre.
Até a próxima que o Flamengo é muito maior que Patrícia Amorim!!!
















