Quem tem time e tempo para trabalhar acaba vencendo
Clubes que revelam jogadores e mantém equipes e treinadores por períodos longos devem ter sucesso no Brasileirão desse ano
Os dirigentes do Santos foram recebidos ontem pelo presidente Lula, junto com os meninos da Vila. E quais jogadores estavam lá? Neymar e Ganso. O que prova que, como disse aqui, não existe “meninos da Vila”, existem Ganso e Neymar, excelentes jogadores. Só Neymar, porém, foi revelado pelo Santos e teve (até onde a imprensa relata) uma proposta milionária nos moldes de grandes jogadores como Falcão, Zico, Ronaldo, Kaká e Robinho, entre outros. Está de parabéns o Santos, que conseguiu se organizar para manter sua grande estrela. O clube, porém, corre o risco de, se a promessa não se concretizar, perder uma oportunidade de faturar uma boa grana para reforçar o time. Mas o risco faz parte do negócio.
O Robinho. Como a promessa não se concretizou, valeu à pena o Santos tê-lo liberado para o Real Madri por aquela fortuna. Mesmo por que, com Robinho, Diego, e outros coadjuvantes, o Santos faturou dois Brasileiros e foi vice do Boca numa Libertadores. Hoje, só a Turquia e o próprio Santos querem Robinho. Com Neymar, o clube pode seguir o mesmo caminho. Já levou a Copa do Brasil e nem precisa ganhar o Brasileiro para disputar e vencer a Libertadores, é só montar um time até o ano que vem. Disse que o Santos não precisa vencer o Brasileiro, mas, com Ganso e Neymar, é sério concorrente ao título – caso queira.
É o que acontece com o Internacional, recém bi-campeão da Libertadores, já ansioso para disputar o mundial, no final do ano. O Inter pode – se quiser – vencer o Brasileiro e quebrar a seca que vem desde time invicto de Falcão e cia. de 1979. Digo “se quiser” porque, por incrível que pareça, mesmo em se tratando de futebol profissional, muitas vezes, em prol de um objetivo, uma equipe se desinteressa por outro. Foi assim, por exemplo, com o Corinthians no ano passado, que levou a Copa do Brasil e, pensando na Libertadores, renunciou ao Brasileiro. Hoje, não tem nenhum dos dois troféus na sede.
Como dizia, Santos e Inter têm tudo para se juntar a Fluminense e Corinthians no G4 da tabela de classificação. O Flu é outro grande fornecedor de jogadores para o futebol mundial, não só craques como Marcelo, Carlos Alberto (tá, meio craque) e as promessas Wellington Silva (Arsenal) e os laterais gêmeos Fábio e Rafael. Precisa aprender que, além de aproveitar o investimento do patrocinador e contratar nomes consagrados, deve dar espaço para jogadores da base, para, além de conseguir títulos a custos menores, faturais mais na hora de vendê-los. Ao menos – soube hoje pelos jornais – o clube aprendeu a fazer contratos longos com os jogadores, de modo a manter o time e também o treinador por mais tempo. Faz sentido que, assim, e com um técnico como Muricy Ramalho por três, quatro anos, acabe ganhado títulos relevantes como o Brasileiro, a Libertadores e (quiçá) um Mundial de Clubes.
Foi o que fez o Corinthians, que não pode reclamar do período em que Mano Menezes esteve no clube. Tirou o time da segundona e lhe deu títulos importantes como a Copa do Brasil e o direito de jogar a Libertadores, que acabou não vencendo. Mas o mais importante é que Mano saiu e deixou o futebol do clube organizado para Adílson Batista, outro que, ao ficar um período longo num clube, no caso o Cruzeiro, apresentou resultados em duas Libertadores, sendo vice numa delas. O time mineiro é mais um que, mesmo correndo por fora, pode chegar ao G4. O resto é zebra.
Até a próxima, que o Flamengo tem saudades de Obina!!!

















Espero que com Muriçoca no comando, essa cultura de rifar jogador em formação no Fluminense acabe. Ele sabe garimpar e aproveitar talentos da base.