Bola é Bola Mesmo

Mano Menezes é o cara

Ex-técnico do Corinthians, além de bom treinador, parece ser capaz de realizar a lenta e necessária renovação na seleção brasileira

O tempo passa, o tempo voa e o Brasil já começa a preparação para mais uma Copa do Mundo. Como de hábito, mostra-se o conceito de “mudança total” após a derrota. A exemplo de 2006, quando o negócio era acabar com a festa, disciplinar os jogadores e trocar o “banana” Parreira pelo “sério” Dunga, agora é a vez de tirar o “grosseirão” Dunga para trazer o “educado” Mano Menezes. Mais que isso, e embora esta tenha sido a terceira opção da CBF e uma das três de toda a Nação, estamos com um bom treinador que pode fazer o trabalho único de preparar uma seleção para disputar uma Copa sem eliminatórias, aqui mesmo no Brasil.

Não sei se essa percepção é geral, mas o fato de a Copa ser disputada no Brasil muda completamente o panorama. Primeiro porque não haverá disputas valendo três pontos. Depois, porque o país inteiro (e a CBF muito mais) estará ocupado numa série de tarefas igualmente importantes para fazer a Copa, de fato, funcionar no Brasil, num padrão minimamente satisfatório. E, por último, porque, se em geral todos exigimos a vitória do Brasil numa Copa, imagine naquela em que nos será dada a possibilidade de corrigir a história, usando o mesmo palco em que o Brasil inteiro, mudo, chorou em 1950.

Uma coisa que não deve mudar – mesmo porque é regra magna no futebol – é a pressão por resultados. Até o mais tolo dos brasileiros sabe que, mesmo jogando amistosos, o Brasil tem que vencer e manter uma boa campanha, senão o treinador é o primeiro a dançar. E é bom lembrar que, se não temos eliminatórias, há Copa América em 2011, na Argentina; Olimpíadas em 2012, em Londres; e Copa das Confederações, no Brasil, em 2013. Tudo isso antes da Copa do Mundo. Olhando assim, há quem diga: “deixe isso pra lá, o importante é vencer a Copa”. Em tese, assim, olhando de longe, não há o que discutir. Na prática, no entanto, o buraco é mais embaixo. Qualquer deslize em uma dessas competições (uma só) e adeus Mano Menezes. Vira uma obsessão nacional a troca de treinador.

Esse talvez tenha sido um dos fatores que fizeram Muricy Ramalho não ter assumido o cargo. Ok, sabemos todos que foi uma somatória de coisas, incluindo o relacionamento (que um dia foi bom) ruim entre a cúpula da CBF e o Fluminense, e a incensada honradez do próprio Muricy. Mas é óbvio que Ricardo Teixeira não apresentou a Muricy uma proposta minimamente sedutora, em forma e conteúdo, a ponto de ele ir até as Laranjeiras e tentar convencer a diretoria tricolor, que acabaria por liberar o treinador. Quem tem (ou já teve, como eu) uma experiência corporativa, sabe que, se um funcionário que ir para outro lugar em que vai ter uma oportunidade melhor, o chefe dele acaba liberando, negocia-se tudo. Para mim, Muricy não se convenceu de que assumir a seleção, agora, era uma boa. E contou com os entraves contratuais com o Fluminense para se resguardar e manter a porta aberta lá na CBF. Quem sabe se Mano fracassar no meio do caminho?

Mas isso agora é passado. Gostei mesmo foi de ouvir Mano dizer que a renovação na seleção deve ser gradual, aos poucos. Parece óbvio (e é), mas me preocupava a forma como Ricardo Teixeira falava num daqueles programas dados para a Globo, sob o comando do sufocante Galvão Bueno, dando a entender que era preciso fazer um time de garotos. Ora, é sabido que o que ganha uma Copa do Mundo é a experiência, e que fatalmente Mano deverá levar o maior número possível de jogadores mais experientes para a próxima, à exceção daqueles que eventualmente não estiverem em boas condições físicas. Daí Dunga também ser criticado por não deixar legado algum nessa área, como foi feito com Ronaldo, que foi à passeio em 1994, e Kaká, que pouco atuou em 2002. Mesmo que novos garotos entrem na seleção agora e arrebentem, eles – por não terem disputado uma Copa – estão atrás de várias outras seleções, como a da Alemanha, que virão ao Brasil com uma experiência tremenda.

É por isso que, diferentemente do que pensam muitos cronistas de respeito, uma seleção campeã mundial de uma categoria de base, de uma sub 20, por exemplo, não se converte automaticamente num grande escrete para a principal. Não é para se desprezar a base, mas futebol profissional é outra coisa. No caso da renovação da seleção, velhacos como Lúcio e Juan, só para citar dois exemplos, devem continuar sendo convocados para dar cancha aos garotos, até serem, aos poucos, substituídos, por uma questão do avançar da idade. Mano Menezes, além de ser um bom treinador, parece ter o bom senso e a sensibilidade de tratar essa questão da melhor maneira possível.

Até a próxima, que tem mais “bandido” no futebol do que as páginas policiais mostram!!!

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