Bola é Bola Mesmo

Não é que vai dar zebra?

Assim como em 2002, a final da Copa mostra que em edição realizada fora de Europa e América tudo pode acontecer. Até uma disputa entre fracassados vocacionais – ao menos até domingo

E não é que as duas seleções historicamente apegadas ao fracasso chegaram à grande final da Copa do Mundo? O que me leva a concluir, seja qual for o resultado, que em Copa que é jogada fora dos continentes tradicionais (Europa e América) tudo pode acontecer – hipótese, aliás, aventada, entre outras tantas, antes mesmo de a bola rola na África do Sul. Há muitas semelhanças entre as copas de 2002 e 2010, mas é preciso esperar o resultado de domingo para chegarmos a uma conclusão. Por hora, o que temos é a grade final.

Apontada como superior por todo mundo, até pelo retrospecto de invencibilidade recente, a Holanda não precisava da ajuda dos homens de preto para vencer o Uruguai. Mas, só para garantir, e sem fazer muito alarde, o bandeirinha da esquerda das cabines de transmissão adotou o seguinte critério para dedurar os impedimentos: em vez de “na dúvida pró ataque”, como diz a regra e recomenda a FIFA, “na dúvida pró Laranja”. Assim, anulou uma jogada legítima do Uruguai no primeiro tempo e validou um gol irregular da Holanda no segundo. Bonito, né? E não me venham dizer que o detalhe não mudou o resultado do jogo, porque mudou, sim. Aliás, só o gol muda – de fato – o resultado de uma partida.

Que a equipe da Holanda é superior a do Uruguai é batata, mas jogo é jogo, e nem sempre o melhor vence. Terça, por exemplo, o resultado mais justo, a meu ver, analisando-se somente a jogo em si, era um empate. Jogou mal a Holanda, que só conseguiu se livrar da marcação uruguaia quando o treinador colocou Van der Vaart em campo, e mesmo assim em lances isolados. Não foi, à bem da verdade, apesar do drama reservado para o final, um jogão de bola. Mais uma prova e que o Brasil perdeu para seu próprio descontrole, em lances fortuitos da equipe holandesa.

Falo do Brasil e já me preocupo com a reformulação prometida para 2014. Isso porque a seleção alemã, orgulhosamente formada por jovens e que vinha arrebentando na Copa, amarelou. Não adianta. Se não tiver um, dois, ou três mais cascudos para chamar a responsabilidade na hora H, a coisa não vai. Nem digo que este Fulano seria o Ballack, azarado contumaz que até hoje não ganhou um título sequer, mas o fato é que a seleção da Alemanha falhou ao fazer sua renovação, demasiadamente apressada, até por questão de contusões envolvendo jogadores mais experientes. Ao menos se considerarmos que ficar entre os quatro é uma derrota. Para a Alemanha pode crer que é sim.

A mesmo tempo foi o melhor jogo da Espanha, muito embora me irrite essa obsessão pelo passe perfeito que faz com que muitas vezes os jogadores da Fúria renunciem ao arremate, evidente, óbvio. Não por acaso o gol saiu – repito a expressão – numa jogada fortuita em que Puyol acertou uma cabeçada em cheio, com tanta força que, embora tenha ido no meio do gol, o goleirão alemão não teve tempo para esboçar reflexo. O bom desse domínio infrutífero da Espanha foi que, assim, em nenhum momento a Alemanha teve sua arma fatal: o contra-ataque. Foi com ela, depois de fazer um gol logo no início, que os alemães deitaram e rolaram contra a Argentina e – um pouco menos, e com uma mãozinha do juiz – a Inglaterra. A Espanha, de seu lado, é que teve o conta golpe à favor, depois de marcar o primeiro tento, e fez a Alemanha sair desembestada para a frente. Se Pedro não tivesse vacilado e passado a bola, o sumido Torres teria feito o segundo gol e liquidado a fatura bem antes do apito final.

A final de dominho promete um jogo bom de se ver. Não aberto, a menos que um gol saia logo de início e mude tudo. Apesar da escalação do bom árbitro inglês Howard Webb, temo que volte a acontecer aquela roubalheira por parte dos bandeirinhas, que, em geral, não estão na Copa por méritos, mas para acompanhar a nacionalidade do árbitro. Como bandeiram na Liga Inglesa, a mais lucrativa de todas, vamos dar um voto de confiança. Não sou de ficar no muro e aponto a Holanda como campeã, que, assim, vai assegurar a seleta vaga entre os campeões do mundo, que lhe é de direito desde a década de 70. Na decisão do terceiro lugar, torço evidentemente pelo Uruguai, mas deve dar Alemanha, num placar com muitos gols de lado a lado.

Semifinal
Melhor equipe: Espanha
Melhor jogador: Sneijder (Holanda)
Gol: Robben, da Holanda, contra o Uruguai
Seleção: Casillas (Espanha), Lahm (Alemanha), Puyol (Holanda), Victorino (Uruguai) e Van Bronckhorst (Holanda); Schweinsteiger (Alemanha), Xavi (Espanha), Sneijder (Holanda) e Forlan (Uruguai); Robben (Holanda) e Kuyt (Holanda)
Técnico: Oscar Tabarez (Uruguai)

Até a próxima, que o Uruguai foi roubado!!!

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