Bola é Bola Mesmo

Copa do óbvio

Em semifinais que repetem padrão, Espanha se apresenta como grande azarão diante de três favoritos. Pela ordem: Alemanha, Uruguai e Holanda.

Existem vários razões que explicam a eliminação da seleção brasileira, dessa e de qualquer Copa do Mundo. Prefiro adotar o óbvio, porque ele sempre tem razão. O Brasil perdeu porque fez um gol na Holanda e sofreu dois. Segundo a regra, isso determina uma derrota em uma partida de futebol, e, de acordo com o regulamento da Copa do Mundo, o derrotado nas quartas de final é automaticamente eliminado. O Brasil não foi mal sucedido porque Dunga, um grande mal educado, xingou todo mundo o tempo todo. Reclamamos também do educado Parreira e sua impassível fisionomia em 2006. O Brasil não perdeu porque Dunga convoca mal e escala pior; é uma ingenuidade achar que a entrada de um Ronaldinho ou de um “garoto da Vila” mudaria aquele patético segundo tempo.

Nessas horas, a culpa maior sempre recai sobre o treinador, mas seria uma injustiça responsabilizar Dunga por tudo. Não, não vou fazer aqui a defesa do treinador que sempre critiquei e engoli – como todos – por conta de bons resultados anteriores. Mas pense bem. Não é culpa de Dunga que Júlio César tenha falhado bisonhamente no primeiro gol da Holanda. Alguém convocaria outro no lugar do avaliado como melhor goleiro do mundo? Duvido. Também não é culpa de Dunga que Lúcio, também um dos melhores zagueiros do mundo, e de atuação até então impecável, não tenha marcado o baixinho Snijder no segundo gol.

E os méritos da Holanda? O único que vejo é de ter sido um time organizado, que não se abalou ao ser amplamente dominado na primeira etapa e teve cabeça para virar o jogo. De forma burocrática, com gols absolutamente ocasionais (achados mesmo), mas venceu, e é isso, no fundo, o que importa. As clássicas jogadas dos holandeses não funcionaram contra o Brasil. De forma fortuita – repita-se – bolas alçadas na área encontraram as redes brasileiras em falhas incríveis do nosso melhor setor. A pergunta que fica é: por que o Brasil, tido como time de guerreiros, não soube reagir? E o que aconteceu no vestiário para o time mudar tanto na etapa final? A expulsão de Felipe Melo nem manchete é; era pedra cantada.

E a Alemanha – quem diria – virou favorita. Digo favorita de fato, porque a equipe germânica é sempre candidata ao título. Pois a sapecada de quatro a zero na Argentina mostrou o futebol total perseguido por todo mundo, mesmo sem ter tantos craques – quase nenhum na verdade. O problema é que é um time muito jovem, com treinador idem, que pode se descontrolar em situações extremas. É, assim mesmo, evidentemente, favorita contra a Espanha, o grande azarão dessa Copa. Não fossem as lambanças do árbitro, que garfou o Paraguai num gol invalidado por impedimento inexistente (nem vou falar da invasão de área no pênalti), a Espanha já teria voltado para casa. Quem ganha do bravo Paraguai roubado pode passar pela Alemanha. Poder, pode, é futebol. Mas eu não acredito.

A Argentina pagou o preço de ter Maradona, um não técnico, no comando. Como um torcedor ignóbil, o Pibe, a exemplo de Dunga, convoca mal e escala pior ainda. Um time sem laterais, apenas com Mascherano como meia, seria eliminado da Copa cedo ou tarde. Mal posicionado, Messi – que é atacante, não meia – não teve o brilho intenso que tem no Barcelona, e não é culpa dele. Como tem bons jogadores, é preciso salientar que a Argentina até jogou bem, tentou reagir quando o jogo restava um a zero. O pecado mortal foi ter sofrido um gol fortuito da Alemanha antes dos cinco minutos de jogo, deixando a partir daí o adversário à vontade para fazer o que mais sabe: contra atacar.

Disse aqui, na coluna passada, que a passagem do Uruguai sobre Gana seria uma barbada. Mas não disse que seria fácil. Com equipes como Uruguai e Paraguai, nada é fácil, vide os jogos da Libertadores. São times que não têm pudor de jogar fechadinho lá atrás, para segurar o zero a zero e deixar tudo para os pênaltis, se for preciso. Mas que têm – sobretudo o Uruguai – camisa para desbancar uma Gana que, como todas as seleções africanas, ainda tem que comer muita poeira pra chegar perto de um título mundial. Não basta a dancinha ridícula de um Asamoah Gyan para resolver. Foi lindo vê-lo olhar para o céu, incrédulo, tentando visualizar a bola que chutou no travessão, jogando no lixo a classificação para as semifinais. Como a Holanda – a exemplo da Espanha – têm a vocação para o fracasso, não será surpresa se o Uruguai enfrentar a Alemanha numa final mais que épica.

Quartas de final
Melhor equipe: Alemanha
Melhor jogador: Sneijder (Holanda)
Gol: Robinho, contra a Holanda
Seleção: Casillas (Espanha), Lahm (Alemanha), Da Silva (Paraguai), Fucile (Uruguai) e Capdevilla (Espanha); Van Bommel (Holanda), Schweinsteiger (Alemanha), Sneijder (Holanda) e Forlan (Uruguai); Mueller (Alemanha) e Villa (Espanha)
Técnico: Gerardo Martino (Paraguai)

Até a próxima, quer perder jogando bem é melhor!!!

Comentários enviados

Existem 2 comentários nesse texto.
  1. Luciano Oliveira em julho 5, 2010 às 11:36
    #1

    Pô… o artigo saiu depois que eu preenchi o bolão da empresa! Que pena!

  2. Bruno Matos em julho 5, 2010 às 15:22
    #2

    Vocação para o fracasso… Que piada!

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