Bola é Bola Mesmo

Saída de Kaká pode ser bom para o Brasil

Copa melhora nível na segunda rodada, vê primeiro massacre e apenas duas seleções se classificaram antecipadamente; todos sul americanos devem seguir adiante

Enfim na próxima sexta Dunga vai ter a oportunidade de responder a pergunta que não quer calar na cabeça de todo o brasileiro: e se Kaká não puder jogar, quem entra no lugar dele sem deixar a peteca cair? Ninguém poderia esperar do craque bom moço uma expulsão meio infantil como a de domingo, apesar da patética atuação do árbitro. Mas, sim, falta de condições físicas e, por consequência, deficiência técnica. Pois Kaká, se foi o jogador do quase, ainda assim desequlibrou em duas jogadas de resultaram em gol, e que, portanto, garantiram a vitória do Brasil contra a Costa do Marfim. Um time que baixou o pau e, embora tenha feito um gol, não transformou Júlio César no craque do time brasileiro.

A vitória do Brasil não foi com show de bola (até foi, em lances isolados), mas de uma autoridade inquestionável. O time se impôs com valentia e com técnica e habilidade, coisa que os africanos pouco têm, e desequilibrou o jogo. Reparem que dois dos gols brasileiros aconteceram por jogadas muito bem armadas, e o outro, através das típicas trombadas de um centro avante que, sabemos todos, num foi craque. Mas resolve, e resolveu muito bem a partida de domingo. Disse que houve lances isolados em que o Brasil deu show de bola e me lembro de dois: a excelente jogada que resultou no gol de abertura e uma troca de passes genial do ataque, já no segundo tempo, depois do placar resolvido, que infelizmente não resultou em nada.

Apesar do gol inesperado (como aconteceu contra a Coreia) a defesa brasileira também não se intimidou. Afora Michel Bastos, fraco em todos os aspectos, sobretudo no físico, Lúcio se impôs com a “macheza” de sempre e Juan, de forma impressionante, mostrou que joga duro e com classe ao mesmo tempo, com extraordinárias recuperações de bola, ainda que diante de verdadeiros caminhões sem freio que vestiam verde e branco. Felipe Melo, de quem sempre se espera um destempero em algum momento, foi sóbrio, correto e não comprometeu. E ainda não consegui decifrar o mistério de Elano, perna de pau nos clubes e craque na seleção, que coisa, hein? Só faltou mesmo brilhar a estrela de Robinho, mas aí também seria demais.

O mais importante do jogo de domingo, porém, foi que a seleção brasileira marcou três vezes em jogadas que não saíram de um contra-ataque. Isso quer dizer, de um lado, que a equipe prescindiu das arrancadas de um “ainda não 100%” Kaká, mas, de outro, que consegue triunfar mesmo quando o adversário não lhe oferece campo para o contra golpe. A notícia é boa, ainda mais se der Brasil e Suíça nas oitavas; Espanha e Chile jogam e deixam jogar. Com o Brasil classificado, volto a dizer que a saída de Kaká pode ser boa para a seleção. Dunga pode testar Júlio Baptista, Robinho (com a entrada de Nilmar na frente) e até Ramires e Kléberson para a posição, de início ou durante a partida.

Como era de se esperar, a segunda rodada melhorou o nível do futebol jogado na Copa. Tivemos até uma goleada massacrante de Portugal sobre a Coreia do Norte, mas a regra foi o placar curto, o tal um a zero. Classificado com uma rodada de antecipação, apenas dois: Holanda e Brasil, embora a Argentina esteja quase lá. Entre as 32 seleções somente Brasil, Argentina, Chile e Holanda venceram as duas partidas, e todos os sul americanos estão em vantagens e com plenas chances de se classificarem. Entre eles a surpresa é o Chile, muito bem armado por Marcelo Bielsa, que só não se dá melhor porque os atacantes são muito ruins, especialistas em perder gols, em vez de marcá-los.

As decepções vão para a Alemanha, que goleou na estreia, mas se encarregou de perder domesticamente para a Sérvia, com direito a pênalti desperdiçado e expulsão do seu goleador, Klose. E também para a França, que, inexplicavelmente, desistiu e jogar bola e entrou em crise profunda. É inacreditável que uma equipe que tem no elenco nomes como Ribéry, Malouda, Evra, Toulalan, Gallas, Henry e Anelka não consiga superar adversários como México e Uruguai e pode se despedir da Copa melancolicamente, sem marcar uma única vez, como aconteceu em 2002. A Inglaterra de Rooney também não convence, assim como a Itália, mas ambas as seleções devem se classificar e, aí, sim, começar na Copa a partir das oitavas. Lembram da Itália de 1982, né?

Falar que o futebol africano decepciona seria um exagero, mas se espera mais do continente que sedia o mundial. Não a ponto de chegar ao título, mas apresentar um futebol melhor era obrigação. Se num primeiro momento as seleções da África tinham um jogo solto, descontraído e até irresponsável, agora, sob o comando, em geral, de treinadores europeus, estão submetidas a esquemas táticos que travam o jogo original deles. Só o tempo vai mostrar que é preciso ter equilíbrio entre as duas coisas. Mas isso vai demorar. Uns 50 anos, no mínimo.

Segunda rodada
Melhor equipe: Argentina
Melhor jogador: Rommedahl (Dinamarca)
Gol: Bendtner (Dinamarca)
Seleção: Stojkovic (Sérvia), Lugano (Uruguai), Agger (Dinamarca), Juan (Brasil) e Ashley Cole (Inglaterra); Mascherano (Argentina), Sneijder (Holanda), Rommedahl (Dinamarca) e Messi (Argentina); Higuain (Argentina) e Luis Fabiano (Brasil)
Técnico: Marcelo Bielsa (Chile)

Até a próxima, que Dunga é mais grosso que o Felipão!!!

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