Início igual ao de todas as Copas
Brasil volta a vencer em estreia e mantém nível das seleções que iniciam suas campanhas
Para começo de conversa, estou deveras satisfeito com a vitória magra do Brasil sobre a Coréia do Norte. Porque, em estreia de Copa do Mundo, o importante é ganhar. E o Brasil, além de ter vencido o jogo, foi melhor e controlou a partida por todo o tempo. Correu riscos, é verdade, e poderia até - vejam vocês – ter perdido. Por isso o mérito da vitória dever ser ainda mais enaltecido. Não, o jogo não foi bom, e eu admito que não estava entre aqueles que acreditavam numa retumbante goleada da seleção canarinho. Mas o Brasil, burocrático e sem criatividade, foi melhor durante todo o tempo, isso não há como negar.
Kaká foi mal e era de se esperar que não fosse bem; Robinho desequilibrou, embora não o bastante; Luis Fabiano voltou a ser aquele jogador tosco da várzea paulistana; e nossos laterais decepcionaram por não ter arriscado jogadas de linha de fundo como se deve fazer em situações de jogos contra retranca como essa de hoje – não por acaso o gol de Maicon (que cansou de pedir bola), abriu a porteira. E sobrou para o fraco Elano o destaque do dia: um passe preciso e um gol, fruto da cumplicidade com o amigo Roboinho.
Mas o melhor do jogo de hoje foi o técnico Dunga. Não pelo que o time dele fez, mas por aquilo que ele pode fazer daqui pra frente. Independente do resultado, o sempre defenestrável treinador fez aquilo que – de um jeito ou de outro – todo mundo queria. Pode ter demorado, mas sacou Elano (mesmo depois de ter feito um gol) e colocou Daniel Alves; tirou Felipe Melo e colocou Ramires; e, súbito, mostrou que para o lugar de Kaká há outras opções que não só o subestimado Júlio Baptista: Nilmar. Mais ainda: deixou claro que pode fugir da óbvia alteração de um titular por um único reserva, e, sim, improvisar, na medida do possível e no limite de seu discernimento. Fez o mesmo que Parreira quando sacou Raí, em 1994, e Felipão, quando disse não ao choro de Romário. Ou seja: está pronto para fazer seu time crescer na Copa e ser campeão.
Difícil comparar o jogo do Brasil com o dos demais, mas é mole dizer que poucas partidas foram realmente interessantes. Para mim a melhor delas foi o verdadeiro embate entre Itália e Paraguai, duas equipes da escola defensivista que deram aula de como se deve fazer uma boa marcação, mas que, de outro lado, não conseguiam sequer uma razoável trama de ataque. Mesmo assim, foi precisa a atuação dos jogadores, sábios em conviver com a ausência de vocação para o ataque. A crônica esportiva, no entanto, fez apologia da Alemanha, que meteu quatro na fraca Austrália (não tão fraca quanto a Coréia do Norte). A equipe germânica, em franco renascimento pós Ballack, passeou - é verdade -, mas que pegou moleza pegou. Ingenuamente, os australianos fora para cima e entregaram o jogo. Coisa que a Coréia do Norte jamais fez.
Nem melhor nem pior que a Coréia do Norte, a Nigéria tomou um passeio da Argentina, que nem jogar bem, jogou. Mas valeu o desempenho do melhor do mundo Messi, que desequilibrou de verdade e colocou sua equipe na frente. A Argentina não agradou, mas também não decepcionou. Em tese, teve um resultado semelhante ao do Brasil, mas, e se fosse o contrário? A Argentina venceria a Coréia do mesmo jeito que venceu a Nigéria? E o Brasil, sairia de campo derrotando a Nigéria? Não dá para afirmar, mas ambos, juntos com a Alemanha, estão, de acordo com as regras, na mesma situação.
Assim como está a Holanda, cujo belo time só venceu depois de um gol contra. Pois aí é que está: a grande dificuldade de uma equipe muito melhor é justamente fazer o primeiro gol quando enfrenta uma seleção muito pior. Depois que faz, deslancha e enche o adversário de gols. Por que razão, então, a Holanda só fez mais um? E o Brasil, além de ter feito só mais um, ainda levou outro? Porque futebol é assim, meus amigos, tudo (e ao mesmo tempo nada) pode acontecer. A França, por exemplo, execrada por todos, tem tantos nomões que é impossível ser descartada no rol dos favoritos, apesar do empate na estréia, contra os uruguaios bicampeões do mundo.
Não quero dizer, com isso, que temos um início de Copa espetacular. Mas que tem sido assim mesmo, em jogos de estréia de Copas do Mundo. É raro quando acontece uma goleada, tanto que, de cara, ela vira notícia. As equipes se guardam para logo depois se tornarem mais ousadas, em busca de um resultado melhor. Numa competição, nem sempre partir para vencer de goleada, ou vencer, ou simplesmente empatar é a solução. E nem sempre o que se pressupõe, de véspera, é o que, de fato, acontece. Hoje, por exemplo, o Brasil tem dois pontos à frente dos demais no grupo, e, dependendo do saldo de gols e dos gols marcados, pode se classificar com dois empates. E isso jogando mais ou menos, hein?
Este texto está sendo publicado antes de as equipes do grupo H (Espanha, Suíça, Honduras e Chile) entrarem em campo. Tive que fazer isso por conta de compromissos profissionais. Como não sou de ficar no muro, vale isso aqui:
Primeira rodada
Melhor equipe: Alemanha
Melhor jogador: Messi (Argentina)
Melhor jogador do Brasil: Robinho
Gol: Gerard (Inglaterra)
Seleção: Enyeama (Nigéria), Johnson (Inglaterra), Cannavaro (Itália), Juan (Brasil) e Lahm (Alemanha); Gerard (Inglaterra), Sneijder (Holanda), Oezil (Alemanha) e Messi (Argentina); Tshabalala (África do Sul) e Klose (Alemanha)
Técnico: Dunga (Brasil)
Até a próxima, que a ESPN São Paulo é bairrista, sim!!!
















