Bola é Bola Mesmo

Em Copa de campeão da América do Sul, vai dar Argentina na cabeça

Se competição africana não repetir estranhezas da Ásia, em 2002, duas seleções entre Inglaterra, Itália e Brasil também chegam às semifinais, junto com o azarão da vez

Quando chega a hora de fazer as previsões para o resultado de mais uma Copa do Mundo, fico com o dedo coçando para ir lá nas previsões de 2006 e repetir quase tudo. Porque, no fim das contas, quase tudo se repete mesmo. Se o amigo é novo aqui nessa coluna, pode ir lá e verificar que este que vos escreve acertou, em 2006, campeão e três dos quatro semifinalistas. Não porque tenha o dom da premonição, mas porque, apesar de o futebol ser uma caixinha de surpresas, em Copa do Mundo é óbvio ver quem vai ganhar. É só dar uma olhadinha para trás.

Primeiro. Time bom não vence Copa do Mundo. Ou, por outra, pode até ganhar, só que, antes do time, vem, necessariamente, e nessa ordem, tradição, sorte, mando de campo e detalhes extracampo. Segundo. Copa do Mundo só ganha quem já venceu. Vejam que desde 1930 só sete seleções venceram o mundial. Brasil (cinco vezes), Itália (quatro), Alemanha (três), Uruguai e Argentina (duas cada uma), Inglaterra e França. Então, para partirmos a uma previsão, vamos excluir, de antemão, as outras 25 seleções, porque o campeão sai desse grupo.

O leitor menos acostumado poderá contra argumentar que, sim, sempre pode haver uma primeira vez. No que eu concordo, mas já replico. Isso só acontece, ou só aconteceu até hoje quando a tal seleção a vencer a Copa pela primeira vez jogou em casa. Olhem para trás e vejam que só foi assim com o Uruguai, em 30, Itália, em 34, Inglaterra, em 66, Argentina, em 78, e França em 98. Brasil e Alemanha ganharam suas primeiras Copas fora de casa, mas as duas já tinham experiências de derrotas. Ocorre que, como seleções de países sem tradição jamais vencerão, mesmo jogando em casa, vou deixar de fora, evidentemente, a África do Sul. Resumindo. O campeão sai desse grupo: Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Inglaterra, França, Uruguai e Holanda. Costumo incluir os holandeses pelas duas finais que eles disputaram, com grandes times.

Outra questão tradicional é que, desde 1938 as Copas são vencidas alternadamente por uma seleção sul americana e outra europeia. O que quer dizer, nesse grupo seleto, têm mais chances Brasil, Uruguai e Argentina. A exceção foi o Brasil, que levou o bi em 58/62. Como não acredito que isso possa se repetir e, em 2014, jogando em casa, a Copa tem tudo para ter vitória brasileira, esse ano o Brasil não leva. Sobram, então, Argentina e Uruguai, e posso, enfim, adotar o critério de melhor time, misturado com o da sorte (Maradona não é técnico, mas tem “estrela”), para cravar o terceiro título argentino.

Não quero dizer com isso, no entanto, que Brasil, Uruguai e Argentina sejam, de fato, os três primeiros, mesmo porque provavelmente eles devem se enfrentar a caminho da final. E nem que vai ser moleza para a Argentina chegar ao título. Olhando para a tabela da Copa e fazendo os prováveis/possíveis cruzamentos, não é difícil perceber que para os argentinos chegarem è final (e ao título), terão que passar, pela lógica, por Alemanha, Itália e Inglaterra ou Brasil. O que me leva a apontar duas equipes, entre Inglaterra, Itália e Brasil nas semifinais. Isso porque, entre as quatro, estará um azarão, como foram Suécia e Bulgária em 1994, Croácia em 1998, Turquia em 2002 e Portugal em 2006. Para este ano, olhando para a tabela, pode ser a Espanha, muito embora tenha gente por aí que, iludido com o Barcelona, aponte a “Fúria” como favorita. Pode ser também Portugal, ou mesmo a Sérvia, que costuma ter bons jogadores e defesas intransponíveis.

Disse isso tudo e quase deixo escapar um raro detalhe. É que, até 2008, as Copas do Mundo eram jogadas justamente nos continentes de onde saem os vencedores: Europa (9 títulos) e América do Sul (9 títulos). Digo isso porque a primeira copa disputada fora desses continentes, em 2002, furou todo esse raciocínio lógico que desenvolvo e publico desde - ao menos - a véspera da Copa de 1994. Dois mil e dois viu um improvável Brasil campeão e até – a custa da arbitragem, diga-se – a Coréia do Sul e a Turquia entre as quatro primeiras colocadas. Donde surge a dúvida: o que pode acontecer de estranho nessa Copa?

É aí que me pego – como já disse - no pior dos cenários para o Brasil, que seria a eliminação já na fase de grupos, para Portugal e Costa do Marfim. Fazia tempo que o Brasil não pegava um grupo tão complicado, já que até a Coréia do Norte pode cismar de repetir o feito de 1966, quando venceu a Itália, na única Copa em que o Brasil foi eliminado na fase de grupos, e que tinha, também, Portugal como adversário preliminar. O jogo contra a Coréia deve ser o mais importante, porque ele deve definir a colocação dos demais. Quem vencer por uma diferença maior de gols se dá melhor na hora de um eventual desempate. Daí a necessidade de o Brasil estrear atropelando, enquanto Drogba e Cristiano Ronaldo medem forças.

Mas falava de coisas estranhas. Imagine, também, os Estados Unidos avançando aos trancos e barrancos até uma semifinal. Ou a Sérvia eliminando o bom time da Holanda para pegar o Brasil nas semis. Ou, ainda, o Chile de o El Loco Bielsa chegando às quartas. Quem sabe uma seleção africana, enfim, entre os quatro melhores. Se for um reflexo de 2002, a Copa desse ano pode ver tudo, absolutamente tudo acontecendo. Se voltar para a histórica obviedade, podem anotar os quatro primeiros: Argentina (campeã), Inglaterra, Itália e Brasil. No lugar desses três últimos, podem considerar um eventual azarão também. Depois, é só cobrar.

Até a próxima, que a roubalheira pró Paulistas já começou!!!

Comentários enviados

Apenas 1 comentários nesse texto.
  1. Bruno Matos em maio 28, 2010 às 15:25
    #1

    Conversa para boi dormir. Quem é bom passa por cima desse tipo de curiosidade.

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