Bola é Bola Mesmo

Nunca foi tão fácil vencer a Libertadores

Sem papões na disputa, os clubes brasileiros é que devem complicar a trajetória rumo ao título, que para uns é verdadeira obsessão

Nunca fui de Libertadores, achava um saco ver os clubes brasileiros jogando contra esses timecos da América Latina, com árbitros apitando outro futebol. Como todos sabem, sou contra o time pequeno, e, salvo raras exceções ali na Argentina, pra mim o resto é tudo um bando de Olarias piorados. Só que depois de o meu time fazer uma campanha irrepreensível há quase dois anos, mudei de idéia, tomado pela emoção peculiar das grandes partidas de futebol. Não sou, entretanto, fanático por isso. Acho que o clube grande tem mais é correr atrás de disputar competições internacionais, pelo cartaz que isso traz e, sobretudo, pela grana, que não é brinquedo, não. Mas eu não sou dirigente de clube, então curto qualquer título. De Taça Guanabara a Mundial de Clubes.

Disse isso porque acho desagradável essa grande obsessão que certos clubes e respectivas torcidas nutrem pela conquista dessa competição. É como se a história do próprio clube não valesse nada caso ele não consiga o caneco da Libertadores para a sala de troféus. Pois saibam que a maioria dos clubes grandes do Brasil antecede esta disputa, e, mais ainda, o interesse em vencê-la. Havia um tempo em que, inclusive, para jogar lá longe, na beira dos Andes, eram mandados os reservas, enquanto os titulares ficavam por aqui correndo atrás de um estadual, Rio-São Paulo ou até o Campeonato Nacional, que já teve vários nomes e deveria ser – este sim – o grande desejo de clubes e torcedores.

Essa semana começa a Libertadores para boa parte dos brasileiros – todos jogam. Ao que tudo indica é a mais fácil dos últimos tempos – sim, porque vencer, para os brasileiros, é sempre mais fácil do que para os demais. É que nesse ano papões como Boca Juniores e River Plate e até a famigerada LDU não estão na disputa. Mesmo que tenha mais mexicanos que de costume, já que as duas equipes “eliminadas” ano passado por causa do surto da gripe suína entrarão direto na segunda fase, sem prejuízo das vagas para a primeira, não será difícil vencer. Até porque o esdrúxulo regulamento garante que time mexicano, se ganhar, não leva, não disputa o mundial.

O problema é que, mesmo a coisa estando fácil, os brasileiros tendem a fazer ficar difícil. Num rompante de europismo às avessas, São Paulo e Corinthians, incharam seus elencos, fizeram revezamentos inúteis e ainda não têm equipes jogando pra valer. Olhando para São Paulo, se o Santos fosse estrear na Libertadores, teria mais chances de vencer do que os outros dois representantes de além Dutra. Ao Corinthians, cuja obsessão pelo título beira o patético, resta confiar no impecável Mano Menezes, porque time pronto e jogando bola, não há. E o São Paulo, agora também sem técnico, por contada da infelicidade de Ricardo Gomes, está perdidinho. Mesmo assim, ambos devem passar para a segunda fase. Depois vai depender dos cruzamentos.

Com o Flamengo não se sabe o que aconteceu. A única contratação para o time titular foi Vagner Love. Acham que Petkovic é eterno, e resistem a contratar um meia. Todos sabem que perdeu Maldonado por contusão, mas não aparece outro para o lugar do chileno. E ataque e zaga não têm reservas à altura. Está jogando fora a chance de ganhar tudo como na insuperável era Zico. Agora que perdeu para o Botafogo a Taça Guanabara, é bem provável que perca o foco que importa, em ambas as competições e tropece, como de hábito, em si próprio.

Para mim as duas equipes que chegam com chances de ir mais longe na Libertadores desse ano, incluindo o título, são Internacional e Cruzeiro. A primeira porque, honra seja feita, joga um futebol meio equivalente àquilo que os árbitros sul-americanos aprovam, tem um elenco recheado, bom investimento, e vem aprendendo a jogar nesse meio. O Cruzeiro, porque chegou à final do ano passado, está na disputa pela terceira vez seguida, também tem bons investimentos, e manteve a chamada “base”. Sem falar no treinador, que, a bem da verdade, tem sido bem sucedido no cargo.

Até a próxima, que deu zebra na Taça Guanabara!!!

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