Não vale nada uma ova!
Disputar e vencer um Fla-Flu é algo que a crônica esportiva não sabe definir como tentava fazer no passado; é preciso vivenciar de verdade, mesmo de longe
Reclamam que, por vezes, falo mais da crônica esportiva do que do esporte em si. Eu próprio reconheço que, com jornalista, gosto de dar meus pitacos sobre o comportamento da mídia, na minha área (cultura) e em todas as outras também. Mas, vamos e venhamos, os caras também não se aprumam, vivem a dizer asneiras a torto e a direito, sem compaixão do pobre leitor/telespectador. Fico pensando, por vezes, se numa emissora de TV não existe alguém que fique assistindo a programação em busca de aperfeiçoar seu quadro de comentaristas.
Na sexta, por exemplo, ligado na ESPN Brasil, vi, embasbacado, o comentarista Mauricinho Bravo dizer que o Fla-Flu de domingo não valeria nada. Como assim um Fla-Flu não vale nada? Vale, sim, meu amigo. Ou você acha que 50 mil torcedores vão ao Maracanã, sob um calor senegalês, pagando ingressos caríssimos para ver algo que nada vale? Vale vencer o maior rival num momento em que os dois estão em excelente fase, vale curtir com a cara dos derrotados, vale ver seu time triunfar sobe o outro, vale para torcer pela sua equipe, ainda mais num jogo cheio de nuances e reviravoltas como o de domingo. Não vale é ficar ouvindo Mauricinho Bravo soltando suas bravatas. Se o sujeito é comentarista, porque não analisa, por exemplo, as equipes, as estratégias e as chances de isso ou aquilo acontecer, como bem faz seu colega PVC? Analise o confronto e pare de blábláblá, ora essa.
Engraçado foi ver/ouvir André Rizek se perguntando – e perguntando aos convidados de sua bancada – o porquê de um clássico carioca se bem mais legal que um de São Paulo. Ele pergunta o óbvio tão ingenuamente que chega a comover. Porque o futebol do Rio é mais legal, ora bolas. Porque aqui as equipes jogam bola (ou ao menos se esforçam pra isso), pouco importa se é uma final de campeonato ou o primeiro clássico da temporada. O negócio é partir pra cima e vencer. E por que, no fim das contas, o Fluminense perdeu? Porque, quando o jogo estava 3 a 3 (um resultado que lhe valeria a liderança do grupo) Cuca sacou um zagueiro e colocou um atacante, porque queria vencer o adversário. Perdeu porque, 1º) o atacante que entrou é ruim; 2º) a saída do zagueiro que era o melhor entre os três enfraqueceu o time e, 3º) jamais poderia imaginar que Vinicius Pacheco (quem?) e Willians (mais ladrão de bola que criador de jogadas) decidiriam a partida.
É por isso que André Rizek não entende o chocho uma a zero do jogo do outro lado da Dutra. Fico pensando, ao mesmo tempo, é em outra coisa: por que André Rizek está apresentando um programa no Sportv? O sujeito se destacou como repórter no caso Edílson e foi contratado pelo canal para ser comentarista. Agora, o colocaram para apresentar um programa em que ele poderia ser mesmo o editor, mas que não leva o menor jeito para comandar. Isso, assim como o cargo de comentarista, é coisa pra gente mais experiente, meus amigos. O mesmo fizeram com Felipe Awi, mas algum gênio descobriu que ele é mesmo bom repórter e o colocou de volta à beirada do gramado e para fazer reportagens especiais. Parabéns!
Mas falava do Fla-Flu e, do jeito que falei, parece até que assisti à partida. Não, não vi, nem mesmo pela TV. Atarefado com outras atividades, só fui assistir aos melhores momentos hoje, na web, o suficiente para cravar que foi um jogaço. Se desse vitória do Flu, e de goleada, dadas as circunstâncias, não seria nada demais. Nos melhores momentos, para se ter uma idéia, mais de vinte lances foram exibidos, e, depois de vê-los, vem a tentação de dizer que o resultado mais justo seria o empate. Mas não seria, não. Justo é o resultado que deu no jogo. Se o Flu foi bem, mas não venceu, problema dele. Que acerte a pontaria da próxima vez. Que aprenda a segurar o resultado que conquista durante uma partida. Quanto ao Flamengo, acho bom se arrumar. Porque – podem anotar – vai demorar um bocado para Vinicius Pacheco (quem?) e Willians decidirem uma partida de novo.
Até a próxima, que só Joel Santana salva!!!
















