Ronaldinho não vai arrebentar na Copa
Mesmo voltando a jogar como nos bons tempos e encantando o mundo com incríveis jogadas, craque não será destaque na África do Sul
O leitor de longa data desta coluna, espécie de andorinha só a fazer verão num site de rock, pode até imaginar que estou a repetir um texto que publiquei há cerca de quatro anos. Às vésperas da Copa da Alemanha, quando Ronaldinho Gaúcho deitava e rolava nos gramados espanhóis, dizia eu que ele não iria jogar bem na Copa do Mundo. E não foi exatamente o que aconteceu? Não, meus amigos, não sou advinho, mas vejo, como sempre digo, Ronaldinho como um jogador de clube, não de seleção. Por isso cravei o óbvio.
Agora a coisa é um pouco diferente. Ronaldinho estava morto e enterrado para o futebol, quando, súbito, voltou a jogar bola e a encantar o mundo, eis aí sua verdadeira vocação. Afora os três gols (eu disse três) que ele marcou no jogo de domingo, contra um time de pouca expressão, deitou e rolou o tempo todo. E não sou eu, que sequer vi o jogo, quem está dizendo, mas aqueles que acompanharam toda a partida, toda a mídia intramuros e a internacional também. Não há como negar: todos querem Ronaldinho, um encantador defunto, entrando em campo com a amarelinha na África do Sul.
Eu também, meus amigos, eu também, mesmo sabendo que não, ele não vai arrebentar nos gramados africanos. Mas, mesmo assim, pode ser útil (e como) ao time de Dunga e, cá entre nós, é melhor do que Julios Baptistas e Josués da vida. Falei no nome de Dunga e já afirmo que é claro que o treinador (hoje posso chamá-lo assim, porque aprendeu) vai convocar Ronaldinho. Primeiro porque sempre convocou, mesmo quando o dentuço não estava jogando patavina. E depois porque Dunga pode ser teimoso, burro até, mas não é maluco. Vai fazer um charme, mas vai levar o craque para a Copa, sim, salvo algum problema que eventualmente ocorra até a data da derradeira convocação.
Não sei, no entanto, se Ronaldinho será titular. Se olharmos para um Robinho mortinho da Silva lá no minúsculo Manchester City, um divide a vaga com outro na Copa. O fato é que, como reserva ou titular, em campo, Ronaldinho não vai arrebentar como faz nos clubes, porque – repito – é jogador de clube, não de seleção. Há aqueles que se lembram da campanha do penta, primeira Copa disputada pelo jogador, sobretudo da partida contra a Inglaterra, em que ele deu nó nas costas do bom lateral Ashley Cole, num contra-ataque espetacular, e passou com precisão para Rivaldo marcar com maestria o gol de empate; e ainda, fez um daqueles gols “não sei se cruzo ou chuto”, que deu a vitória ao Brasil.
Pois esta foi a única partida em que Ronaldinho foi bem – embora tenha sido expulso depois. De sete jogos, atuou só em cinco, cumprindo suspensão contra a Turquia, na semifinal, e poupado contra a Costa Rica, já que a seleção estava classificada antecipadamente. Aquela Copa foi vencida pelos geniais Ronaldinho (artilheiro com 8 gols) e Rivaldo, que marcou os gols certos nas horas mais difíceis e participou de quase todos os lances decisivos para o Brasil. E, claro, vencemos porque Felipão conseguiu formar o tal grupo e montar o time certinho. Não gosto de admitir, mas isso lá é verdade.
Já como jogador de clube, o currículo de Ronaldinho é espetacular e pode, ainda, ser ampliado – o craque não é um veterano. Vai ser decisivo com o Milan, clube que, aliás, pouco se importa com o avançar da idade de seus contratados, ou por qualquer outro que o leve de Milão a peso de ouro. Mas, embora seja utilíssimo à seleção, não, não vai arrebentar na África do Sul. Esqueçam.
Até a próxima, que, no Flamengo, as férias ainda não acabaram!!!
















