Bola é Bola Mesmo

O negócio é manter a base

Por incrível que pareça, nossos clubes estão descobrindo que conservar os jogadores no elenco é melhor do que ficar fazendo trocas e (até) grandes contratações

Ano após ano ouço/vejo comentaristas dizerem que este ou aquele time está aprendendo a jogar numa disputa por pontos corridos. Falam isso quando reconhecem certo planejamento de tal equipe, quando um treinador parece estar pensando em regularidade, não em resultados imediatos, ou quando um elenco cheio de opções é montado cuidadosamente no início de uma temporada. O assunto pode ter passado despercebido por mim, mas nunca ouvi essa análise para o fato de um clube investir na manutenção de um elenco, a chamada base, de um ano para outro.

Pois então vou acrescentar mais este ingrediente na ladainha. Nos acostumamos tanto, nesses tempos modernos, a ver um entra-e-sai danado de jogadores em clubes, que consideramos normal a descomunal troca de jogadores, tanto no meio das competições, como, principalmente, entre uma temporada e outra. Conheço torcedor que vibra mais ao saber que um craque foi contratado para o seu time do que com as vitórias da equipe propriamente ditas. Não que uma contratação não mereça o apoio, a vibração, mas o que vale são os três pontos. E a volta olímpica.

A contratação de Ronaldo, ex-fenômeno, pelo Corinthians, foi espetacular, mas o desmanche da equipe bem no meio do ano tirou do clube a provável conquista de tudo em 2009. O clube não soube (ou não pôde, vai saber) manter a base e perdeu o rumo. Quando subiu da segunda para a primeira divisão, no ano retrasado, aí, sim, manteve os jogadores, acrescentou Ronaldo e deitou e rolou no primeiro semestre. Agora, ao que parece, faz o mesmo, com contratações pontuais, com destaque para a de Roberto Carlos, para arredondar uma boa equipe que é, desde já, franca candidata a uma Libertadores enfraquecida, sem Boca, River e (vá lá, pela desgraça da altitude), a LDU. Mas isso é problema deles, que fracassaram em competições intramuros.

Digo isso porque, apesar do período propício a grandes contratações, toca de jogadores, pré-temporadas e afins, não vejo grandes movimentações no chamado mercado da bola. Poucos jogadores estão sendo negociados, mudando de clube. No caso de vencedores como o Flamengo, Cruzeiro e Inter, bem colocados, ok, há o embalo e mesmo um pouco de ilusão pelo bom momento, faz parte. Mas equipes que foram mal como Palmeiras, Fluminense, Santos e Botafogo, entre outras, estão atrás de reforços pontuais. Dessas, só o Santos não manteve, inclusive, o treinador que sucumbiu em 2009. Fazem bem. Será que estão, enfim, se esforçando para manter a base? Ou é questão de menores investimentos mesmo?

Um pouco das duas coisas. Pé no chão e mão fechada. No Rio tudo acabou tão às mil maravilhas no ano passado que todas as torcidas se acham favoritas para o Carioca, a primeira competição de 2010. Mas todas têm motivos para ter um revés rumo ao título, por motivos diversos. O Vasco é o que mais preocupa, apesar da conquista da Segundona, porque trocou de treinador e está comprando quase um time titular inteiro. O Flamengo certamente vai correr mais atrás da Libertadores e pode, com isso, abrir frente para os adversários no Carioca, mais do que os rivais, por conta da Copa do Brasil, cuja fase inicial costuma ser barbada. O Botafogo poderia correr por fora, mas o time é muito fraco, apesar da chegada de “El Loco Abreu”. E o Fluminense nem de longe pode pensar que tem um timaço, muito menos que vai vencer tudo na raça e no embalo do ano passado – epopéia que seguramente não irá se repetir tão cedo. Mas vejo – repito – a manutenção de elenco com boníssimos olhos.

Não, meus amigos, isto aqui não é (não ainda) as minhas certeiras previsões para o futebol de 2010. Aliás, se me permitem, em ano de Copa vou me concentrar em acertar os resultados genéricos da maior competição do planeta, como venho fazendo desde 1994, com maior ou menor precisão. Mas como não sou de muro, prometo dar pitacos também nos outros jogos, sobretudos depois de ver as novas equipes em ação.

Até a próxima, que Diego Souza é tão inocentezinho!!!

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