Joguinho bom de se ver
Repleta de estrangeiros, Liga Inglesa tem hoje um dos melhores campeonatos do mundo; será melhor que o Brasileirão?
A bola não pára. Tem jogo depois do feriado, sábado, domingo, segunda, terça e quarta, antes virada do ano e o escambau. Onde isso? No Brasil, que tem um calendário dos mais mal organizados, com várias competições sendo jogadas ao mesmo tempo? Não, meus amigos, na Inglaterra, onde, ao contrário, esse festival de jogos pela Liga Inglesa é visto como sinônimo de organização. Explico. Segundo consta, lá na Terra da Rainha, como não há o que se fazer nesta época do ano, os organizadores do futebol decidiram dar um jeito de marcar jogos diariamente e faturar mais um bocado.
Num flagrante da máxima “é bom para eles é bom para nós”, o digníssimo comentarista da emissora que transmite os jogos sugeriu que se fizesse o mesmo durante o Carnaval, no Rio de Janeiro, a fim de faturar com os turistas. Mal sabe ele que o Carnaval carioca voltou a ser de rua nos últimos tempos. E que, a bem da verdade, já tem ocorrido jogos no Maracanã aos sábados desde Carnaval há algum tempo, o que não é motivo para lotar o estádio. E o pioneirismo deve ser creditado a Francisco Horta, que, em 1975, levou cerca de 40 mil tricolores para ver a estreia de Rivelino na Máquina Tricolor. O Bigode fez nada menos que três gols na goleada de quatro a um sobre o Corinthians.
Mas falava de futebol inglês e, assistindo a esses últimos jogos, reparei que o que mais tem por lá são estrangeiros, em todos os níveis. Desde estrelas como Ballack, Drogba, Arshavin, passando por jogadores de primeiro escalão como Essien, Anderson, Lucas e Adebayor, até cabeças de bagre de todos os lugares do mundo. Dos times médios para baixo a quantidade de jogadores de outros países, sobretudo do continente africano, é uma enormidade. Curiosamente, no caso do Brasil, só jogadores de alto nível parecem estar por lá. Não há, pelo que observei, muitos atletas medianos nas equipes da zona intermediária da tabela de classificação para baixo.
Seria o custo? Ou, do Brasil, os profissionalíssimos ingleses só querem os craques? Não sei se o amigo leitor já se deu conta, mas os clubes que investem em categorias de base costumam despejar no mercado, a cada ano, cerca de 20 a 30 jogadores. Entre eles, craques, bons jogadores, jogadores medianos e botinudos e cabeças de bagre. Há que se ter vaga para todos nesse mundão da bola. Vejam o caso do Fluminense. Revelou craques como Diego Souza (hoje no Palmeiras), Marcelo (Real Madrid) e os gêmeos Rafael e Fábio (Manchester United), mas também pôs no mercado Rodrigo Tiuí, Toró, Esquerdinha e Marciel. Não sei como pensam os ingleses, mas o “não craque” brasileiro não deve nada ao “não craque” africano, asiático ou europeu.
Tantos estrangeiros na Liga Inglesa já há tempos fez o futebol jogado por lá mudar. Não tem esse papo de jogadas aéreas e disputas de bola mais viris, não. Lá a bola tem rolado redondinha – os gramados são excepcionais – de pé em pé. É toque de bola pra lá e pra cá, dos dois lados do campo. E os times mais fracos encaram os bambambans sem o menor constrangimento, mostrando aquele equilíbrio que a gente tanto elogia quando vê por aqui. Mas lá, que fique claro, joga-se muito mais bonito, de um jeito mais ofensivo que torna o jogo vistoso. Há, sim, retrancas, mas até elas parecem diferentes das que temos aqui. Dizer que lá o campeonato é nivelado por ima, e aqui, por baixo, seria um exagero. Mas é por aí, sim.
Digo isso numa visão macro, ou seja, superficial, porque não acompanho o Inglesão, e, a bem da verdade, vejo o Brasileirão mais pela TV e de acordo com a repercussão na mídia. Como também fazem assim os comentaristas dos nossos tempos, tenho o direito de dar o meu pitaco. Posso estar enganado, mas assistir ao Campeonato Inglês, hoje, é certamente melhor que ver o Italiano (coqueluche nos anos 80) ou o Espanhol, ainda mais para quem, como eu, não morre de amores pelo toque de bola chato e estéril do Barcelona. Mas isso já é outra história.
Até a próxima, que 2010 vai ser o ano do Brasil hexacampeão!!!
















