No Mundo do Rock

No lugar das guitarras, piano

Tendo o rock como formação musical espontânea, Glaucio Christelo lança disco com versões para clássicos do gênero; repertório inclui Guns N’Roses, U2, Nirvana e Radiohead. Foto: Divulgação.

Glaucio Christelo montou um repertório de mais de 100 músicas para chegar nas 14 do CD de estreia

Glaucio Christelo montou um repertório de mais de 100 músicas para chegar nas 14 do CD de estreia

O que fazer se você passou boa parte da infância e adolescência ouvindo discos de rock com a família, e, sabe-se lá o porquê, acabou se tornando um pianista? Entrar para uma banda de rock parece ser a resposta mais óbvia, mas um dos primeiros passos para todo fã de música (e de rock, claro) que aprende a tocar um instrumento é levar os clássicos que sempre curtiu. Foi assim que o carioca Glaucio Christelo viu amadurecer a idéia de gravar um disco inteiro com rocks reconhecíveis a quilômetros de distância, tudo no piano. “Desde moleque o rock era sempre predominante em casa, meu pai ouvia Led Zeppelin, Deep Purple e Pink Floyd, entre outros”, conta Glaucio. “Piano Rock”, claro, é o título do disco de estreia do pianista.

São catorze músicas, escolhidas a partir de uma peneira de malha fina que deixou de fora medalhões como Whitesnake e Kiss, numa lista que ultrapassou as 100 músicas. “O gosto pessoal e a questão musical têm sempre que estar juntos no momento da escolha do repertório. Músicas como ‘Under The Bridge’ (Red Hot Chili Peppers), ‘Is This Love’ (Whitesnake), ‘Forever’ (Kiss) e ‘Money’ (Pink Floyd) ficaram de fora”, justifica o pianista, que confessa: “Neste primeiro CD queríamos que as pessoas conhecessem todas as músicas”. Faz todo o sentido, já que, num disco de versões, o desafio para o ouvinte é identificar música e artista que a compôs.

Dentre as que entraram, Glaucio viaja desde o classic rock, com “Wondeful Tonight”, de Eric Clapton; até o pop rock do REM, em “Losing My Religion”; passando pelo pós punk ainda incipiente o U2, em “Sunday Blood Sunday”; até chegar ao indie estourado do Coldplay, na bela “Clocks”. Abrindo mais o leque tem a desgastada “Hotel California”, que inicia o CD; “Love Of My Life”, que ganhou fama justamente com o teclados de Freddie Mercury, no Queen; e até “Beat It”, gravada antes de o rei do pop partir dessa para uma melhor. Se Glaucio tem suas preferidas? “‘Creep’, do Radiohead, e ‘Smells Like a Teen Spirit’, do Nirvana”, responde no ato.

O “versões” citado ali em cima não foi por acaso, já que não se trata de simples covers. Na maioria das faixas Glaucio Christelo busca desenvolver evoluções diferentes, em trechos muitas vezes não evidenciados na gravação original da música. Não chega a tornar tudo muito distante do original – e a intenção nem é essa -, mas involuntariamente revela uma “outra música” dentro dela própria. “Tento respeitar ao máximo a melodia criada pelo artista, mas busco sempre algumas nuances escondidas na música e na minha mente, para colocar a minha identidade em cada uma”, explica o pianista. Só que nem sempre isso é possível, né? “Em grande parte, as músicas de rock têm como riff principal a guitarra. A introdução da “Sweet Child O’ Mine, por exemplo, é marcante, fazer uma versão sem colocá-la seria estranho”, completa.

Falando em riffs, convenhamos que pegar clássicos do rock e subtrair deles justamente seu instrumento mais simbólico pode acabar “matando” a música. De tanto escutar rock pauleira desde garoto, Glaucio também levou isso em conta. “Querendo ou não você tem que parar para pensar nas guitarras ou em qualquer outro instrumento contido na música. E ótimas músicas foram passadas para o piano e perderam um pouco do peso”, reconhece. Se já tiver teclado na versão original, facilita as coisas? “Isso não é um critério decisivo na hora da escolha”, responde o rocker das teclas. “Tem muitas músicas que começam no piano ou teclado que acabam não ficando bacanas quando tocadas de forma instrumental”, completa, adicionando o elemento “rock instrumental” na conversa.

Curiosamente, ainda que sem as guitarras, o estilo “piano rock” não tem feito distinção de público. Onde toca, Glaucio costuma vender exemplares do CD para fãs de todas as idades. “Tanto a garotada quanto os adultos curtem muito o trabalho. As crianças ficam vidradas e pedem para os pais comprarem também. Essa foi uma das questões que me chamou a atenção para colocar esse projeto para frente”. É, afinal, o clássico em geral supera os limites deste ou daquele gênero musical. Mas Glaucio Christelo pretende continuar no estilo do “cinquentão”, e já pensa num “Piano Rock 2”. Lembram que mais de 100 ficaram de fora? Então… repertório é o que não falta.

Sugestões para o site do pianista do rock: www.glauciochristelo.com.br

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Comentários enviados

Apenas 1 comentários nesse texto.
  1. Bárbara em junho 7, 2011 às 21:49
    #1

    Realmente, ele é um máximo tocando! Amo os covers dele (especificamente) às vezes até mais do que a versão original da música!
    Meus parabéns e muito sucesso!

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