Som na Caixa

Walverdes

Playback
(Mondo 77)

walverdesplaybackNo começo a inspiração era o esporrento grunge de Seattle, mas o tempo fez o Walverdes procurar bastante e se achar em vários caminhos. Hoje se pode notar por este quarto disco que a banda é uma das mais barulhentas do rock nacional, sem que isso implique na omissão de interessantes referências. E a boa produção garante a audição perfeita de todos os instrumentos, inclusive o vocal, coisa rara quando o assunto é distorção.

Nos últimos tempos, a identificação com o stoner rock tem sido completa, muito embora o Walverdes, à sua maneira, tenha descoberto uma forma de fazer isso sem cair nos clichês aplicados aos artistas embalados no mesmo subgênero. Isto é, o Walverdes faz stoner, sim, mas encontrou um jeito próprio de fazer isso, mesmo porque a banda vivenciou todas essas transformações. É assim que se encontram guitarras distorcidas, som basicamente ao vivo e quase sempre propositalmente tosco, uma estrutura básica (quase punk) e uma peculiar simplicidade-de-Black Sabbath-em-início-de-carreira. Essa viagem levou a banda inevitavelmente aos anos 70, onde ela descobriu a sonoridade dos amplificadores valvulados, riffs de guitarra de verdade e toda uma riqueza musical (funk e soul, por exemplo) de uma época em que o termo “eletrônica” não passava de uma tomada na parede. E é só o que o Walverdes precisa para viver.

A repetição quase minimalista de “Seja Mais Certo”, que abre o disco; a introdução à “Strange Kind Of Woman”, do Deep Purple, em “Altos e Baixos”; o riff espetacular da derradeira “Quando Tudo Explodir”; a densidade de “Sexta-feira”; a urgência de “Eu Não Dou Explicação”; a pop “Sabendo Que é Assim a Vida”; as letras simples, porém incomuns e às vezes sarcásticas - tudo isso escancara a essência do que é o Walverdes: música pesada de alta voltagem e potência descalibrada.

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