Los Hermanos
4
(Sony-BMG)
Publicado na Laboratório Pop número 7, de outubro de 2005
Se “Ventura”, o álbum anterior, tinha como mérito as boas músicas que traziam elementos do pop rock para a mpb, muito por causa de arranjos preciosos e bem sacados, neste “4” a impressão que se tem é que a hora de gravar chegou e o Los Hermanos ainda não tinha um disco nas mãos, mas sim um amontoado de canções inacabadas sem a mínima unidade entre elas. Ou seja, é como se as doze músicas fossem não mais do que sobras da gravação dos dois discos anteriores, pinçadas para dar continuidade a uma fórmula/método de trabalho que tem dado certo no “jeito Los Hermanos de ser”. Só que a grande ausência de instrumentos e bons arranjos na maior parte das músicas joga por terra qualquer sinal de coerência que pudesse dar crédito a esta hipótese.
Considerando que os quatro barbudos têm total liberdade de criação dentro da gravadora (o que explica o arremedo de ilustração na capa) resta então a segunda alternativa, a de que o grupo fez este disco deliberadamente, para ser assim mesmo. E aí fica claro, e de uma vez por todas, a infeliz opção pela mpb cabeção e blasé que acaba por colocar o grupo no rol de artistas identificados com o clã caetanista, com o qual o produtor Kassin, aliás, tem certa intimidade. Sinal claro disso são as letras escritas ora por Marcelo Camelo ora por Rodrigo Amarante, onde eles tentam ser, na maioria das vezes, mais poetas do que compositores de pop rock.
Em algumas músicas – como “Dois barcos” e “Fez-se mar” - Camelo canta tão baixo que o sussurro que sai de sua garganta só não é pior do que a falta de viço das próprias canções, mergulhadas que estão numa melancolia que faz o disco soar triste como ele só. Dá até para fazer uma conexão bossanovística, sobretudo na primeira metade do disco, que parece ter sido feita intencionalmente desta forma – “Primeiro andar”, por exemplo, soa como se tivesse uns vinte minutos, de tão chata. A segunda parte quebra um pouco a calmaria e traz algumas músicas de verdade. É o caso de “O vento”, que talvez pela empolgação tenha sido apontada como a primeira faixa de trabalho. Não é, entretanto, uma canção brilhante, e se fosse colocada lado a lado com qualquer outra do repertório de “Ventura” certamente passaria sem ser notada. Nesse aspecto, é “Condicional” a que se salva no disco, justamente por ser a que melhor se identifica com a banda, mesmo cantada – e mal, como de hábito – por Amarante.
No cômputo final a impressão que fica é que a intenção de “deixar lacunas a serem preenchidas” explicitada pelo tecladista Bruno Medina no release distribuído à imprensa parece ter sido levada às últimas conseqüências. O que faz deste “4”, de fato, uma espécie de vazio na carreira do Los Hermanos. Resta aos perplexos fãs a espera pela redenção no próximo disco.
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